segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Adoção de bebês com deficiência é destaque na Revista Marie Claire

Foto/Reprodução: CNJ
Por Marcelo Vieira

Descrição para cegos: Imagem de adulto e uma criança duas mãos dadas no centro da foto, como símbolo da adoção. Ao fundo paisagem de uma plantação de cor verde.

Adoção de crianças com deficiência foi destaque em reportagem publicada no site da Revista Marie Claire. A matéria aborda a história de vida de Ana Paula, Érdeson, e seus filhos Letícia e Dudu. O casal adotou as duas crianças portadoras de deficiência, uma com hidranencefalia e outra com paralisia cerebral.  A matéria foi publicada em junho deste ano, na coluna Eu Leitora, e ganhou notoriedade nas redes sociais, pois a criança Dudu, desde os três anos não se identificava com o seu corpo de menina. Além de abordar o cotidiano de uma família e os entraves na vida de uma pessoa com deficiência, a reportagem também evidencia as questões de gênero. 

Saiba mais da história dessa família aqui.

Evasão e Indiferença na escolaridade

Por Larissa Maia


Descrição para cegos: Menino portador de deficiência em uma cadeira de rodas em três situações diferentes: lendo, apoiado na cadeira e com os braços levantados.

   Um dos principais fatores de evasão escolar dos deficientes, além da falta de acessibilidade, é talvez a falta de políticas inclusivas nas escolas. O ambiente educacional, que deveria promover igualdade entre os estudantes, acaba afastando os deficientes pela ausência de condições físicas e sociais que proporcionem um “lar” para o aluno.
   Para tratar do tema “Educação Inclusiva”, o UOL convidou Ika Fleury, a ex-primeira-dama do estado de São Paulo e atual presidente do Conselho Curador da Fundação Dorina Nowill, instituição que trabalha há 70 anos pela inclusão de pessoas cegas e com baixa visão. Confira no link.
   Dando continuidade à temática, o jornal O Globo trouxe uma matéria sobre o preconceito como causa da desistência de alguns alunos deficientes, causando um grande índice de evasão escolar dos que necessitam de condições especiais para usufruírem de um ensino de qualidade.

Uma história de estigmas

Por Larissa Maia

Imagem da internet  
  


Descrição para cegos: Cena do documenário"Hakani", que retrata o infanticídio indígena para pessoas com deficiência. Na imagem uma criança deficiente nos braços de outra criança, um pouco mais velha. A fotografia é a capa de divulgação do longa.

    Historicamente os deficientes sofreram (e sofrem, até os dias atuais) exclusão e preconceito por parte da sociedade. Nos primórdios da civilização era comum que alguns humanos matassem humanos (inclusive integrantes do próprio grupo comunitário) pelo fato de nascerem com algum tipo de deficiência.
    Um exemplo disso é da comunidade indígena brasileira Iomâmis, que enterravam vivas as crianças “diferentes”. É importante enfatizar que, mesmo depois de séculos, essa perversidade continua. . A justificativa de algumas comunidades é que as crianças atrairiam algum tipo de mal para o restante do povoado. Ainda bebês são enterradas, envenenadas e muitas vezes abandonadas na selva logo após o parto.
    Nas cidades grandes ainda enxergamos uma herança de tratar os deficientes como “amaldiçoados”. Uma matéria que retrata bem essa problemática foi publicada no Politike, site da Carta Capital sobre política internacional, direitos humanos e economia, cuja abordagem jornalística focou em fatos atuais de exclusão. A reportagem pode ser acessada clicando aqui.

Assessoria jurídica para pessoas com deficiência


 Por Larissa Maia
Todas as imagens foram cedidas por participante do projeto


Descrição para cegos: Na imagem uma criança com farda escolar desenhando algo que fosse diferente na concepção dela, atividade proposta por um projeto da UFPB.



Marginalizados e excluídos desde os primórdios da humanidade, hoje os deficientes conseguem encontrar apoio em diversas instituições para obter visibilidade social, inclusive em algumas atividades de extensão da Universidade Federal da Paraíba, que promovem inclusão e acessibilidade. 
  O projeto de extensão Assessoria jurídica para pessoas com deficiência, que existe desde 2015, assessora o deficiente e seus familiares tornando de conhecimento deles os seus direitos e seus deveres como Portador de Deficiência. De acordo com Eduardo, bolsista do projeto, a ação é um espaço de cidadania que tem como objetivo, principalmente, difundir o conhecimento e assessoria jurídica no que diz respeito ao direito previdenciário 
  A ação é promovida pelo professor Robson Antão, do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), com a colaboração de mais três alunos, que atuam diretamente na elaboração do planejamento e da execução das ações. 
  No ano de 2018, a ação contemplou uma escola do Bairro das Indústrias, aqui na capital. A Escola Municipal Edme Tavares, que é de ensino fundamentalrecebe palestras para os professores e também para os estudantes, além de ser beneficiada com o estudo sobre o novo conceito de acessibilidade proposto pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência.  
  As crianças da escola também participavam da ação: discutiam sobre inclusão e conheciam a Lei Brasileira de Inclusão e também é colocado a disposição para os estudantes do colégio que necessitem da assessoria jurídica. As palestras eram ministradas pelos integrantes do projeto com o intuito de educar os professores e alunos sobre responsabilidade e dentro do contexto da acessibilidade para pessoas com deficiência. Para os participantes a escola é um laboratório e para quem recebe é um aprendizado cidadão. 
  Para Eduardo Gomeso intuito do projeto é realizar uma mudança significativa no comportamento dos alunos por meio do conhecimento sobre acessibilidade, das leis que vigoram em relação às pessoas com deficiência, além da lei de inclusão, que trazem uma nova carga de direitos e deveres. 
  A assessoria jurídica para pessoas com deficiência tem o papel de tornar público o conhecimento, que, na visão dos participantes da ação, é tão importante, sobre o que é essa nova lei que é chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência e sobre a Lei de Inclusão. “Mostrar pra essas pessoas que existem outras pessoas por elas e que elas são amparadas por lei e que essas leis devem ser obedecidas”, declarou o aluno. 

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Movimento Down disponibiliza cartilha educativa para pais de crianças com deficiência

Foto/Reprodução: Movimento Down


Descrição para cegos:
Foto de uma criança com síndrome de Down com ilustração laranja e frase na parte inferior da foto, “Três Vivas para o Bebê!”.

Por Marcelo Vieira

Muitos pais quando ficam sabendo que seus filhos têm síndrome de down, recebem notícias inapropriadas e, às vezes, falsas. Pensando nisso o Movimento Down preparou um guia para mães e pais de crianças que possuem a síndrome.

O Movimento Down surgiu para reunir conteúdos e iniciativas que colaborem para o desenvolvimento dessas potencialidades e que contribuam para a inclusão das pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual em todos os espaços da sociedade.

Na cartilha, eles salientam, por meio de informações atualizadas e de qualidade que, assim como as outras pessoas, quem nasce com síndrome de Down vem ao mundo cheio de potencialidades e têm o direito de estudar, trabalhar e participar de sua comunidade.


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Uma história de estigmas

Por Larissa Maia

Imagem da internet  
 


Descrição para cegos: Cena do documenário"Hakani", que retrata o infanticídio indígena para pessoas com deficiência. Na imagem uma criança deficiente nos braços de outra criança, um pouco mais velha. A fotografia é a capa de divulgação do longa.

    Historicamente os deficientes sofreram (e sofrem, até os dias atuais) exclusão e preconceito por parte da sociedade. Nos primórdios da civilização era comum que alguns humanos matassem humanos (inclusive integrantes do próprio grupo comunitário) pelo fato de nascerem com algum tipo de deficiência.
    Um exemplo disso é da comunidade indígena brasileira Iomâmis, que enterravam vivas as crianças “diferentes”. É importante enfatizar que, mesmo depois de séculos, essa perversidade continua. . A justificativa de algumas comunidades é que as crianças atrairiam algum tipo de mal para o restante do povoado. Ainda bebês são enterradas, envenenadas e muitas vezes abandonadas na selva logo após o parto.
    Nas cidades grandes ainda enxergamos uma herança de tratar os deficientes como “amaldiçoados”. Uma matéria que retrata bem essa problemática foi publicada no Politike, site da Carta Capital sobre política internacional, direitos humanos e economia, cuja abordagem jornalística focou em fatos atuais de exclusão. A reportagem pode ser acessada clicando aqui.

EVASÃO E INDIFERENÇA NA ESCOLARIDADE

Por Larissa Maia
Ilustração da internet

Descrição para cegos: Menino portador de deficiência em uma cadeira de rodas em três situações diferentes: lendo, apoiado na cadeira e com os braços levantados.

   Um dos principais fatores de evasão escolar dos deficientes, além da falta de acessibilidade, é talvez a falta de políticas inclusivas nas escolas. O ambiente educacional, que deveria promover igualdade entre os estudantes, acaba afastando os deficientes pela ausência de condições físicas e sociais que proporcionem um “lar” para o aluno.
   Para tratar do tema “Educação Inclusiva”, o UOL convidou Ika Fleury, a ex-primeira-dama do estado de São Paulo e atual presidente do Conselho Curador da Fundação Dorina Nowill, instituição que trabalha há 70 anos pela inclusão de pessoas cegas e com baixa visão. Confira no link.
   Dando continuidade à temática, o jornal O Globo trouxe uma matéria sobre o preconceito como causa da desistência de alguns alunos deficientes, causando um grande índice de evasão escolar dos que necessitam de condições especiais para usufruírem de um ensino de qualidade.

Maternidade e autismo: quebrando o tabu, vencendo as barreiras e mudando a perspectiva sobre o mundo


Descrição para cegos: Alice no Aquário Marinho do Rio de Janeiro
Fonte: Instagram

Por Maria Ricarte

O autismo foi descoberto em 1943 pelo psiquiatra Leo Kanner, nos Estados Unidos, e de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), existem dois milhões de autistas no Brasil. Em relação à infância, a Organização estima que o transtorno do espectro autista (TEA) afete uma em cada 160 crianças no mundo. Entretanto, o diagnóstico não é tão simples de ser feito. O fato de não existir um exame específico que indique o transtorno – a avaliação deve ser clínica e feita por uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo -, os sintomas são comumente confundidos com surdez, já que a criança não responde aos estímulos; deficiência intelectual; e problemas de linguagem.

Por isso, mediante qualquer desconfiança sobre o desenvolvimento da criança, é necessário procurar o acompanhamento de um especialista, visando começar precocemente as intervenções e melhorar o prognóstico da criança. É importante procurar as terapias adequadas o quanto antes, porque assim,  o sistema nervoso poderá responder aos estímulos mais rapidamente. Mesmo que ainda não haja um medicamento específico para o autismo, a criança deve ser acompanhada por um fonoaudiólogo para que ele ajude-a a desenvolver a linguagem não-verbal. A estimulação pode ser feita com brincadeiras e jogos, contação de histórias e conversa.

Cada pessoa com autismo é diferente da outra, existem muitos espectros da síndrome, mas a dificuldade de compreensão e comunicação com outras pessoas é uma dificuldade comum entre elas. Além desses sinais, há outros que podem se manifestar em algumas pessoas com o espectro autista, porém não é algo que, necessariamente, tenha que desenvolver em todos eles. Os surtos nervosos, por exemplo, podem vir acompanhados de automutilação e agressão; hiper ou hipo sensibilidade também podem se manifestar de forma diferente nos cinco sentidos da criança; e, por fim, no paladar, em que a pessoa não tolera determinados sabores e, por isso, insiste em comer sempre os mesmos alimentos.

Alguns sinais de alerta:

- Não responder ao nome aos 12 meses;

- Não apontar objetos aos 14 meses;

- Não brincar de faz de conta aos 18 meses;

- Falta de contato visual e querer ficar sozinho;

- Ter interesses obsessivos;

- Ficar extremamente abalado por pequenas mudanças;
- Agitação excessiva;
- Reações inesperadas ao barulho de coisas, cheiros, gostos.


Buscando quebrar o tabu, compreender e mostrar a realidade dos pais e mães das crianças que foram diagnosticadas com o espectro autista, foi feita uma entrevista com Viviany Santos Lima Ricarte de 39 anos, mãe de Alice Lima Ricarte que, com um ano e quatro meses de vida, passou a desenvolver alguns desses sintomas citados acima, como: a falta de contato visual; reagia diferente a determinados barulhos; atraso na fala; e, parou de reparar no ambiente que estava a sua volta.


Descrição para cegos: Viviany ao lado direito fazendo uma pose imitando a imagem do Hulk - um Super Herói -, que está estampado na camisa que ambas estão vestindo; e, Alice sorrindo ao mesmo tempo em que tenta imitar a pose da  mãe, ao lado esquerdo da foto.
Fonte: Instagram


Quem é você?
Me chamo Viviany Santos Lima ricarte, tenho 40 anos e, atualmente, sou dona de casa e mãe de Alice Lima Ricarte de quatro anos. Acabei deixando de ajudar meu marido no comércio para me dedicar a Alice, que é a minha prioridade hoje.

Quando você descobriu o autismo de Alice? Ela tinha que idade?
Eu comecei a suspeitar que ela tinha autismo com um ano e quatro meses, ela vinha tendo o desenvolvimento normalmente, sendo que com um ano ela parou de falar “papai” e “mamãe”, parou de responder ao “tchau” que as pessoas davam a ela, parou de me seguir pela casa e parou de prestar atenção ao seu redor. Então, a partir daí, comecei a questionar, junto ao meu marido, e foi aí que eu levei essa minha visão para a pediatra.

Ela estuda em alguma instituição de ensino? Pública ou privada?
Alice estuda numa instituição privada desde que ela tinha um ano e meio. Meu intuito era colocar ela na escola quando ela completasse os dois anos de idade, mas como ela começou a desenvolver essa mudança de comportamento, coloquei antes.

Quais foram as dificuldades enfrentadas para achar escolas que tivessem profissionais capacitados e com estrutura física adequada para melhor atender Alice e as outras crianças?
Não apresentei a suspeita de autismo para a escola, apenas apontei que havia um atraso na fala dela, até para ver o que a escola poderia me ajudar em relação a ficar observando o comportamento dela. Escolhi uma escola pequena, que não tivesse muitos alunos por turma para ver se tinha uma atenção maior em relação aos estudantes. Na minha cabeça, isso poderia me ajudar a descobrir minha filha e me ajudar a entender aquilo tudo o que eu estava passando. Busquei uma escola de renome na cidade, que tivesse algum tipo de reconhecimento, mas não busquei em relação ao autismo em si.

Você leva Alice para algum médico especialista na área do autismo? Para você, qual a importância do acompanhamento médico especializado dos jovens com autismo e, encontrar esses profissionais, é algo acessível?
Alice tem um acompanhamento de uma neurologista, neuropediatra e de um psiquiatra infantil. Vou ao neuro uma vez ao ano e no psiquiatra de seis em seis meses, se surgir uma dúvida eu sempre converso com ele. Acho importantíssimo que haja esse acompanhamento, primeiro para os pais, porque a gente não tem noção de nada do que é o autismo, pelo menos para mim ouvir o que é autismo é tudo muito novo, então eu precisava de alguém que me explicasse e me ajudasse em que direção eu deveria ir, que rumo eu deveria tomar. Somos bombardeados o tempo todo sobre falsas curas, informações que levam a gente a acreditar em coisas que não são verdadeiras, e por isso precisamos ter o acompanhamento e a ajuda de um profissional, porque filtrar isso por si só é muito difícil, temos que saber dividir o que é verdade e o que é mentira para não maltratar o seu filho.
No meu caso, eu quis ter muito cuidado, mesmo com todo o sofrimento que eu estava passando, eu não quis tomar decisões erradas, então eu fui ao neurologista, ele me passou uma fono, depois terapia ocupacional - primeira coisa que Alice fez - e diante disso, fui ao psiquiatra no Rio de Janeiro que é especialista em autismo. Para mim, ele foi um divisor de águas, ele me explicou claramente como funcionava o cérebro de minha filha, porque só falavam para mim o que era autismo, mas não como funcionava o cérebro da minha filha, e ele me explicou. Me explicou como era o processo, das possibilidades, me mostrou que não era o fim e sim um começo e quanto mais a gente estimular, abraçar a nossa filha- no sentido de abraçar a causa mesmo - mais vai ver o resultado.
Então foi um divisor de águas conhecer Doutor Caio, conhecer profissionais que entendam a dor dos pais, olhar para eles e ser justo, não inventar mil e uma coisas sobre tratamento em que os pais acreditem e queiram fazer tudo o que está sendo proposto - o que acaba prejudicando até a criança. A gente tem que ter muito cuidado com a gente e com as crianças, temos que estar saudáveis para poder ajudá-las.

De que forma a sociedade, o governo e as instituições de ensino podem contribuir para o desenvolvimento da inclusão de crianças e jovens autistas?
Eu acho que falta muita capacitação, as pessoas não entendem o que é o autismo. Eu por exemplo, enxergava o autista como uma pessoa que se fechava no mundo dela e não fazia mais nada, era uma ignorância da minha parte. Hoje eu vejo que o autismo não é uma doença, é uma condição e que nós temos que receber e entender essas pessoas. Perceber que aquele barulho está incomodando, aquela luz não tá legal, que determinado estímulo não está agradando, então é muita coisa para ser feita. Eu acho que os professores precisam ter uma capacitação, não só para as pessoas com autismo, mas para todas as pessoas com deficiência. O autismo é uma crescente, não se sabe se é porque o número de pessoas com autismo cresceu ou se o diagnóstico passou a ser melhor executado.
Existem vários graus de autismo: o leve, quase imperceptível; moderado; e o severo, sendo o que as pessoas mais percebem. Os profissionais precisam estar capacitados para atender essas crianças, às vezes eles estão tão engessados e acostumados a trabalhar de uma forma que, só sabem trabalhar daquela maneira, eles tem que começar a ter outro olhar, saber contornar as dificuldades, movimentar o corpo, desenhar, cativar a criança, trazer elas para a gente. Os governantes não se importam com essa realidade, o que dificulta para nós que somos pais. Porque tudo é muito caro, tudo de Alice é particular, não temos auxílio de nada, nem do plano de saúde - agora estamos entrando com essa questão do plano de saúde para ele poder nos ressarcir.
Eu fico imaginando as pessoas que não tem condições para bancar isso, porque além de você ter o sofrimento de pai, você ainda não tem o dinheiro para fazer as terapias, o tratamento e de ao menos colocar o seu filho na escola. É tudo muito sofrido, então a gente não tem um conjunto de coisas: escolas públicas capacitadas, médicos e remédios disponíveis e acessíveis para toda a população.

Ser mãe de uma criança autista mudou sua perspectiva em relação ao autismo? Como que você lidou com o diagnóstico e o que você aprendeu com ele?
Na verdade eu não tinha noção nenhuma do que era o autismo. Quando eu recebi a notícia do autismo, só vinha imagens de filmes e novelas que eu assisti que tinham personagens autistas, não havia ninguém próximo a mim que tivesse autismo. Enfim, para mim, foi uma das coisas mais difíceis de escutar e de entender, porque eu digo que, hoje eu me considero uma outra pessoa, eu vejo o mundo de outra forma, tudo o que eu pensava, que eu imaginava, que eu sonhava, eu percebi que é tudo tão pequeno diante de uma coisa muito maior. A realidade é que você nunca imagina que isso vai chegar até você. A condição de minha filha - me ensinou a amar alguém incondicionalmente que tenha dificuldade de demonstrar esse afeto para você, e você tenta fazer de tudo para extrair esse amor desse ser tão pequenininho de volta. Eu sei que ela me ama, mas ela tem a dificuldade de demonstrar.
Então para mim foi muito difícil, eu amadureci de uma forma que eu nem sei explicar a profundidade, de me ver diante de uma dor imensa e me obrigar a levantar para fazer por ela tudo o que estiver  ao meu alcance, porque se eu não fizer quem é que vai fazer? Eu aceito a condição da minha filha, ela é autista, mas eu vou fazer o que estiver ao meu alcance para extrair dela tudo o que for possível, para ela poder caminhar sozinha e fazer as escolhas dela. Então eu preciso fazer isso por ela e não por mim, fazer com que Alice chegue aonde ela quiser chegar, eu tenho que fazer a minha parte. Eu sei que ainda temos muito o que percorrer, ela tem quatro anos ainda. Teremos muitas lutas, ela vai trocar de escola, vai vir a adolescência e tudo isso a gente não pode ficar pensando no amanhã, eu luto pelo hoje dela, sem pensar no futuro.
No início eu chorava muito, porque eu ficava pensando no futuro: “Como é que Alice vai viver?”; “O que ela vai ser?”; “O que será que vai acontecer?”, então eu parei de pensar nisso. Eu vivo o hoje e só. O fato dela ter conseguido escrever o nome dela, de saber o alfabeto, de estar conseguindo brincar com os coleguinhas, como o que ela está aprendendo. Quando a gente recebe a notícia de autismo, a gente fica pensando no amanhã, de como é que vai ser daqui pra frente e eu parei completamente de pensar nisso, quando vem esse pensamento eu vou e tiro. Então, não é fácil, mas quando eu conheci outras mães, ouvi outras histórias, eu vi que eu não estava sozinha. E eu posso dizer que essas pessoas são maravilhosas e eu pude ver como o amor é grande, como ele transforma uma pessoa, você amar infinitamente uma pessoa e você quer o bem dela e mais nada. Só a felicidade.

FUNAD: contribuindo, assegurando e promovendo os Direitos das PCDs no território paraibano

Descrição para cegos:  um menino em pé ao lado de quatro cadeiras de rodas encostadas na parede. Fonte: Maria Ricarte

Por Maria Ricarte


Diversas políticas públicas foram implementadas ao longo dos anos com o intuito de preservar e assegurar a inclusão social e a garantia dos Direitos Humanos das pessoas com deficiência. Essas transformações ocorreram entre diversas  áreas sociais, dentre elas a área da educação; saúde; assistência social; trabalho e geração de renda foram as que tiveram mudanças significativas.
Com as transições e  avanços na legislação, e principalmente na maneira de consumar políticas públicas, havendo uma alternância de modelo integralista para um inclusivo - saindo de um sistema que exclui para um que agrega a população em todos os âmbitos sociais -, alteram-se, consequentemente, as formas de tratamento das pessoas com deficiência, em que alguns termos que eram empregados passam a não ser mais apropriados.
Os termos: excepcional; deficiente; pessoa portadora de deficiência; portadores de necessidades especiais e pessoas normais ou ditas normais; já não são mais permitidos, visto que não são adequados para tratar as pessoas com deficiência. Sendo corretos a utilização dos seguintes termos: pessoa com deficiência auditiva; pessoa com deficiência física; pessoa com deficiência intelectual; pessoa com deficiência visual.
Visando implementar políticas, programas e serviços nas áreas de inclusão social, saúde e educação, voltado para as pessoas com deficiência, a FUNAD ( Fundação de Apoio ao Portador de deficiência), localizada na Paraíba, disponibiliza uma equipe multidisciplinar onde as pessoas com deficiência são atendidas.
A Fundação é um Órgão do Governo do Estado da Paraíba, vinculada a Secretaria de Estado da Educação, e atende pessoas de todas as idades com deficiência, seja ela intelectual, visual, auditiva, física, múltipla, Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD), Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e pessoas com altas Habilidades/superdotação.
Diante desse cenário, foi feita uma entrevista com a Coordenadora do Núcleo de Educação Permanente (NEP) dentro da FUNAD, Rosa Helena, e com a Psicopedagoga que faz parte da equipe do NEP, Palmira Araújo, com o intuito de conhecer um pouco mais da Fundação e da visão sobre as políticas implementadas para assegurar a equidade social das pessoas com deficiência.


Descrição para cegos: As entrevistadas sorrindo para a foto. Ao lado esquerdo está Palmira e ao lado direito está Rosa Helena. Fonte: Maria Ricarte
O que é a FUNAD?
Rosa: A FUNAD é um órgão da secretaria do governo do estado, ligado a Secretaria de Educação, que já vem fazendo um trabalho de assistência, habilitação e orientação sobre a política de atendimento à pessoa com deficiência desde 1990. Ela vem fazendo esse trabalho em todo o estado, obedecendo a legislação e a política pública de atendimento à pessoa com deficiência, que rege todo o Brasil. Ela não presta apenas assistência, não é uma situação isolada. Ela agrega, procura defender os direitos, proporciona a reabilitação da pessoa com deficiência, a capacitação dos professores que estão na escola para poderem atender os alunos com deficiência de forma coerente e, além disso, promove qualidade de vida, bem estar e autonomia para a pessoa com deficiência na sua vida como um todo.
Quais são os projetos existentes na Fundação para ajudar às PCDs ( pessoas com deficiência)?
Rosa: A gente promove a reabilitação para aquela pessoa que recebeu o laudo comprovando a existência de deficiência, eles vão para o processo de reabilitação que tem as atividades mostrando os Direitos das PCDs - que é justamente a área de proteção social - , e também promove a educação inclusiva - que não é um projeto só da FUNAD mas é um projeto elencado, determinado e traçado pelo Ministério da Educação. Esse projeto referente à educação inclusiva tem dois objetivos; um é a formação dos professores da rede pública de ensino; e o segundo viés, é o assessoramento às escolas. Existe uma assessoria de educação especial que faz esse trabalho, existem técnicos que atendem as escolas e a essas famílias que procuram ajuda, a finalidade seria dar as orientações devidas visando a inclusão escolar dessas pessoas com deficiência. Temos também outro projeto em que oferecemos o curso de Libras e de Braille para professores - para que eles possam ficar capacitados na questão da acessibilidade - , para a comunidade e para as próprias pessoas surdas e cegas - para que elas possam se apropriar da Linguagem Brasileira de Sinais e do Braile.
Palmira: Uma proposta que eu acho interessante é a CIL( Central de Interpretação de Libras) que a gente tem aqui. A CIL, é uma proposta do governo federal em que teve o apoio do Governo do Estado , teve sua central trazida para a FUNAD justamente para atender todas as pessoas surdas que procurarem e agendarem um atendimento. Existe uma equipe preparada para atender essas pessoas, com a finalidade de ajudá-las em consultas médicas, audiências jurídicas, fazer BO, ir na delegacia ; o intérprete vai nesses locais para poder mediar essa comunicação do surdo com a pessoa do órgão em questão. Essa assistência existe em João Pessoa, Guarabira, Campina Grande e em Patos.
Quais são os resultados, os dados alcançados, pela Instituição no atendimento das pessoas assistidas pela instituição?
Rosa: Atualmente mais ou menos temos 5 mil usuários sendo atendidos por mês, sendo de todas as faixas etárias de criança a adulto, não tem discriminação de raça, nem de poder aquisitivo, qualquer pessoa que queira identificar a existência dessa deficiência está apta a vir na Fundação para ser atendida. O pré-requisito mais básico e o mais importante é que tenha o cartão do SUS, no momento em que ele deseja abrir o protocolo, ele precisa trazer alguns documentos que são: cópia de carteira de identidade; RG; CPF; cartão SUS; comprovante de residência e foto 3x4; que a partir dai você abre o protocolo na coordenação de triagem, e com essa documentação, ele agenda uma avaliação multiprofissional para definir se tem ou não aquela deficiência, para que ele possa receber o laudo alegando essa deficiência com o intuito de ser atendido por uma equipe especializada e, para que ele possa assegurar os seus direitos: Direito ao passe livre; Direito ao acesso do programa BPC na escola ( estimula e monitora a permanência dos jovens com deficiência nas escolas), Direito de ser inserido no mercado de trabalho (através da lei de cotas). Tudo isso é possível através desse laudo que foi feito.
Visto que, cerca de 45 milhões de pessoas tem deficiência - auditiva, visual, mental ou física - , ou seja, aproximadamente 25% da população, quais as medidas e as leis que o Governo do Estado deve executar para melhor atender essa parte da população que sofre com a falta de equidade social?
Rosa: A Paraíba é o terceiro estado do Nordeste que apresenta o maior número de pessoas com deficiência, ficando atrás do Rio Grande do Norte e do Ceará, e apresenta uma porcentagem assemelhada ao percentual a nível nacional, a Paraíba tem aproximadamente 24% da população com deficiência. Hoje, ao longo desses 8 anos, o Governo do Estado tem investido muito nessa estruturação de atendimento da pessoa com deficiência, da estrutura física dos locais que precisam estar adequados para melhor atender as pessoas com deficiência; e a FUNAD em si, tem uma qualidade de espaço físico, de material e de qualificação do pessoal que trabalha. Houve um crescimento das solicitações de pessoas para trabalharem na FUNAD, devido ao crescimento da microcefalia, o que resultou na necessidade do Governo de enviar profissionais que pudessem dar suporte no atendimento. Na questão do autismo, houve investimento em materiais, espaço físico e equipamentos para que a equipe pudesse atender de forma mais adequada e capacitada essas pessoas com autismo; em 2011 tínhamos nove profissionais atendendo na FUNAD e hoje em dia temos quase quatrocentos, o que mostra uma resposta ao bom atendimento que estava sendo feito, a procura foi tamanha e o retorno está sendo a qualidade desses profissionais. Sendo mais abrangente, saindo daqui da Instituição, o Governo tem investido na descentralização desse atendimento da pessoa com deficiência em todo o estado, hoje esse centro de reabilitação que é a FUNAD, atende nas quatro deficiências - física, auditiva, visual, mental -, em Campina Grande o antigo prédio da AACD foi transformado em outro centro especializado em reabilitação que também atende as pessoas que possuem as 4 deficiências; em Patos também existe um centro, só que trata apenas duas deficiências- intelectual e física; Catolé do Rocha, Guarabira e Monteiro atendem deficiência auditiva. Então isso está se propagando e com isso, consequentemente, é notório a qualificação e a qualidade do atendimento da pessoa com deficiência, o que evita que ela venha lá de Patos ou do Catolé do Rocha para receber um laudo aqui em João Pessoa, podendo fazer esse procedimento no interior. Agora em dezembro vai ser inaugurada a FUNAD 2, “Funadinha”, em Souza, toda a estrutura física foi levantada, prédio novo, com equipamentos, recursos humanos e a qualificação dos profissionais feita pela Fundação e pela Secretaria de Saúde do Estado que vem monitorando e acompanhando todo esse processo. Hoje a FUNAD faz parte de uma rede de atenção à saúde das pessoas com deficiência, ele é um centro especializado que compõe aquelas demandas que a saúde tem como centros especiais na área de odontologia e núcleos de apoio da família. A FUNAD é hoje um dos equipamentos de saúde que presta atendimento a essas pessoas e constrói essa rede de assistência às pessoas com deficiência juntamente com o Governo do Estado.
Qual a importância do psicopedagogo nas escolas, sejam elas públicas ou privadas, para atenderem os jovens, portadores de deficiência ou não?
Palmira: Eu também sou psicopedagoga e eu acho de suma importância a existência desses profissionais nas instituições, apesar da profissão ainda não ser valorizada. O psicopedagogo é fundamental para atender não só as pessoas com deficiência, mas aquele público que fica fora do atendimento educacional especializado, por exemplo as crianças com hiperatividade; déficit de atenção e com dislexia; esse público que tem os distúrbios de aprendizagem, é totalmente desassistido dentro das escolas, pois eles não entram na parte do público que tem deficiência, ou seja, aqueles que têm o atendimento educacional especializado nas escolas - que é um programa do MEC ( Ministério da Educação), que disponibiliza recursos didáticos e pedagógicos para atender as pessoas com deficiência matriculadas nas instituições regulares de ensino no contra turno , eles estudam pela parte da manhã e na parte da tarde eles têm esse atendimento para poder suprir as suas necessidades no processo de aprendizagem. A criança com dislexia ou com déficit de atenção, elas não podem frequentar esse atendimento o que as deixam desamparadas. Então eu acho importantíssimo a presença do psicopedagogo nas escolas, infelizmente ainda não há um reconhecimento e nem a valorização desses profissionais, mas eu espero que daqui pra frente esse cenário possa melhorar.
Quais as melhorias existentes que foram executadas pelo Governo do Estado na melhoria da qualidade de vida das PCDs?
Na área de acessibilidade foi feita muita coisa pelo Governo do Estado. Principalmente nas escolas. Muitas escolas foram construídas dentro dos parâmetros devidos da legislação e, muitas escolas que já existiam foram reformadas/adaptadas para os alunos com deficiência. Além de hospitais, prédios residenciais e as praças que estão sendo construídas dentro da legalidade da acessibilidade. Essa realidade é uma via que não vai voltar mais, e a população precisa estar consciente e brigando por essa acessibilidade. Hoje a pessoa com deficiência não está mais em casa trancada ou escondida, hoje ela está na rua, na sociedade, indo no cinema e, além de tudo, está exigindo que os shoppings tenham um elevador largo para que caiba a cadeira de roda, que as clínicas tenham acessibilidade, e isso é uma exigência de direito de estar e de participar em todos os espaços que existam. Há uma maior fiscalização, por parte da população, do próprio Governo e da polícia.