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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Direito à Educação das PcDs e a transformação social que ela promov

Descrição para cegos: crianças dentro da sala de aula levantando a mão para fazer alguma pergunta para a professora. Fonte: Faculdade FAVENI

Por Maria Ricarte
A relevância da educação para a sociedade é algo indiscutível. Além de ser um instrumento social, ela é determinante para a capacitação ao trabalho e para a formação da consciência cidadã. Através dela, há o desenvolvimento da capacidade crítica dos cidadãos, o que torna mais evidente que a solução para: a violência, a alienação, o desenvolvimento econômico e para as desigualdades sociais é a educação. De fato, as instituições de ensino, que servem ao bem estar social, acrescentam, juntamente com a família, no desenvolvimento pessoal e social das crianças e adolescentes, contribuindo decisivamente para a melhoria de vida de cada indivíduo.
O acesso à educação é direito de todos, sem discriminação, incluindo o direito da pessoa com deficiência, seja ele qual for - transtorno global do desenvolvimento, altas habilidades/superdotação, deficiência física, auditiva, visual e intelectual. Para efetivar esse direito, diversas ações foram implementadas pelo MEC. Em 2008, a política nacional de educação especial - na perspectiva da educação inclusiva -, foi aprovada por meio da emenda constitucional, na convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos das pessoas com deficiência - Decreto n° 6.571, de 2008.
O Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Plano Viver sem Limite, prevê medidas que abrangem a implantação de Salas de Recursos Multifuncionais (SRM), o incentivo da acessibilidade arquitetônica nas escolas, a formação de professores para a consumação do atendimento educacional especializado (AEE), ônibus escolares acessíveis e cursos de pedagogia com ênfase na educação bilíngue.
As escolas devem assegurar o acesso e as condições para a permanência e o êxito escolar dos alunos através do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Devem ser disponibilizados alguns atendimentos através das instituições de ensino, tais quais:
- O aprendizado do Sistema Braille, além da facilitação de apoio e aconselhamento para alunos cegos;
- O exercício da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e promoção da identidade linguística da comunidade surda;
- O uso do método de comunicação utilizado pelos indivíduos surdocegos denominado Tadoma;
Tecnologias assistivas para o ensino e aprendizagem do escolar com deficiência física;
- Atendimento educacional suplementar ao aluno com altas habilidades ou superdotação.
Descrição para cegos: elementos que representam pessoas com deficiência auditiva, visual, física e intelectual. Fonte: Sesi
O programa criado pela Portaria Normativa Interministerial n° 18, de 2007, o BPC (Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social) na Escola que tem o objetivo de desenvolver ações intersetoriais, aspirando garantir o acesso e a permanência na escola de crianças e adolescentes com deficiência. Tendo em vista a implementação do programa, é acordado um termo de adesão pelos estados, pelos municípios e pelo Distrito Federal, efetivado através do preenchimento eletrônico de documento.
Na Paraíba, há 285 escolas que possuem salas com recursos voltadas para o complemento da educação regular, em que estas salas devem ser dotadas de equipamento mínimo necessário - mesa, cadeira, estante, computador, televisão, aparelho de DVD e material didático. As pessoas com deficiência devem ser atendidas de forma integral com ações articuladas. Dentro dos municípios da Paraíba, existem alguns serviços de referência para as pessoas com deficiência:
- Unidades de Saúde da Família;
- CRAS (Centro de Referência de Assistência Social);
- CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social);
- Gerência Regionais de Educação;
- Gerências Regionais de Saúde;
- Secretarias Municipais;
- Ministério Público;
- Conselhos Tutelares;
- Conselhos de Direitos.


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Movimento Down disponibiliza cartilha educativa para pais de crianças com deficiência

Foto/Reprodução: Movimento Down


Descrição para cegos:
Foto de uma criança com síndrome de Down com ilustração laranja e frase na parte inferior da foto, “Três Vivas para o Bebê!”.

Por Marcelo Vieira

Muitos pais quando ficam sabendo que seus filhos têm síndrome de down, recebem notícias inapropriadas e, às vezes, falsas. Pensando nisso o Movimento Down preparou um guia para mães e pais de crianças que possuem a síndrome.

O Movimento Down surgiu para reunir conteúdos e iniciativas que colaborem para o desenvolvimento dessas potencialidades e que contribuam para a inclusão das pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual em todos os espaços da sociedade.

Na cartilha, eles salientam, por meio de informações atualizadas e de qualidade que, assim como as outras pessoas, quem nasce com síndrome de Down vem ao mundo cheio de potencialidades e têm o direito de estudar, trabalhar e participar de sua comunidade.


terça-feira, 6 de novembro de 2018

FUNAD: contribuindo, assegurando e promovendo os Direitos das PCDs no território paraibano

Descrição para cegos:  um menino em pé ao lado de quatro cadeiras de rodas encostadas na parede. Fonte: Maria Ricarte

Por Maria Ricarte


Diversas políticas públicas foram implementadas ao longo dos anos com o intuito de preservar e assegurar a inclusão social e a garantia dos Direitos Humanos das pessoas com deficiência. Essas transformações ocorreram entre diversas  áreas sociais, dentre elas a área da educação; saúde; assistência social; trabalho e geração de renda foram as que tiveram mudanças significativas.
Com as transições e  avanços na legislação, e principalmente na maneira de consumar políticas públicas, havendo uma alternância de modelo integralista para um inclusivo - saindo de um sistema que exclui para um que agrega a população em todos os âmbitos sociais -, alteram-se, consequentemente, as formas de tratamento das pessoas com deficiência, em que alguns termos que eram empregados passam a não ser mais apropriados.
Os termos: excepcional; deficiente; pessoa portadora de deficiência; portadores de necessidades especiais e pessoas normais ou ditas normais; já não são mais permitidos, visto que não são adequados para tratar as pessoas com deficiência. Sendo corretos a utilização dos seguintes termos: pessoa com deficiência auditiva; pessoa com deficiência física; pessoa com deficiência intelectual; pessoa com deficiência visual.
Visando implementar políticas, programas e serviços nas áreas de inclusão social, saúde e educação, voltado para as pessoas com deficiência, a FUNAD ( Fundação de Apoio ao Portador de deficiência), localizada na Paraíba, disponibiliza uma equipe multidisciplinar onde as pessoas com deficiência são atendidas.
A Fundação é um Órgão do Governo do Estado da Paraíba, vinculada a Secretaria de Estado da Educação, e atende pessoas de todas as idades com deficiência, seja ela intelectual, visual, auditiva, física, múltipla, Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD), Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e pessoas com altas Habilidades/superdotação.
Diante desse cenário, foi feita uma entrevista com a Coordenadora do Núcleo de Educação Permanente (NEP) dentro da FUNAD, Rosa Helena, e com a Psicopedagoga que faz parte da equipe do NEP, Palmira Araújo, com o intuito de conhecer um pouco mais da Fundação e da visão sobre as políticas implementadas para assegurar a equidade social das pessoas com deficiência.


Descrição para cegos: As entrevistadas sorrindo para a foto. Ao lado esquerdo está Palmira e ao lado direito está Rosa Helena. Fonte: Maria Ricarte
O que é a FUNAD?
Rosa: A FUNAD é um órgão da secretaria do governo do estado, ligado a Secretaria de Educação, que já vem fazendo um trabalho de assistência, habilitação e orientação sobre a política de atendimento à pessoa com deficiência desde 1990. Ela vem fazendo esse trabalho em todo o estado, obedecendo a legislação e a política pública de atendimento à pessoa com deficiência, que rege todo o Brasil. Ela não presta apenas assistência, não é uma situação isolada. Ela agrega, procura defender os direitos, proporciona a reabilitação da pessoa com deficiência, a capacitação dos professores que estão na escola para poderem atender os alunos com deficiência de forma coerente e, além disso, promove qualidade de vida, bem estar e autonomia para a pessoa com deficiência na sua vida como um todo.
Quais são os projetos existentes na Fundação para ajudar às PCDs ( pessoas com deficiência)?
Rosa: A gente promove a reabilitação para aquela pessoa que recebeu o laudo comprovando a existência de deficiência, eles vão para o processo de reabilitação que tem as atividades mostrando os Direitos das PCDs - que é justamente a área de proteção social - , e também promove a educação inclusiva - que não é um projeto só da FUNAD mas é um projeto elencado, determinado e traçado pelo Ministério da Educação. Esse projeto referente à educação inclusiva tem dois objetivos; um é a formação dos professores da rede pública de ensino; e o segundo viés, é o assessoramento às escolas. Existe uma assessoria de educação especial que faz esse trabalho, existem técnicos que atendem as escolas e a essas famílias que procuram ajuda, a finalidade seria dar as orientações devidas visando a inclusão escolar dessas pessoas com deficiência. Temos também outro projeto em que oferecemos o curso de Libras e de Braille para professores - para que eles possam ficar capacitados na questão da acessibilidade - , para a comunidade e para as próprias pessoas surdas e cegas - para que elas possam se apropriar da Linguagem Brasileira de Sinais e do Braile.
Palmira: Uma proposta que eu acho interessante é a CIL( Central de Interpretação de Libras) que a gente tem aqui. A CIL, é uma proposta do governo federal em que teve o apoio do Governo do Estado , teve sua central trazida para a FUNAD justamente para atender todas as pessoas surdas que procurarem e agendarem um atendimento. Existe uma equipe preparada para atender essas pessoas, com a finalidade de ajudá-las em consultas médicas, audiências jurídicas, fazer BO, ir na delegacia ; o intérprete vai nesses locais para poder mediar essa comunicação do surdo com a pessoa do órgão em questão. Essa assistência existe em João Pessoa, Guarabira, Campina Grande e em Patos.
Quais são os resultados, os dados alcançados, pela Instituição no atendimento das pessoas assistidas pela instituição?
Rosa: Atualmente mais ou menos temos 5 mil usuários sendo atendidos por mês, sendo de todas as faixas etárias de criança a adulto, não tem discriminação de raça, nem de poder aquisitivo, qualquer pessoa que queira identificar a existência dessa deficiência está apta a vir na Fundação para ser atendida. O pré-requisito mais básico e o mais importante é que tenha o cartão do SUS, no momento em que ele deseja abrir o protocolo, ele precisa trazer alguns documentos que são: cópia de carteira de identidade; RG; CPF; cartão SUS; comprovante de residência e foto 3x4; que a partir dai você abre o protocolo na coordenação de triagem, e com essa documentação, ele agenda uma avaliação multiprofissional para definir se tem ou não aquela deficiência, para que ele possa receber o laudo alegando essa deficiência com o intuito de ser atendido por uma equipe especializada e, para que ele possa assegurar os seus direitos: Direito ao passe livre; Direito ao acesso do programa BPC na escola ( estimula e monitora a permanência dos jovens com deficiência nas escolas), Direito de ser inserido no mercado de trabalho (através da lei de cotas). Tudo isso é possível através desse laudo que foi feito.
Visto que, cerca de 45 milhões de pessoas tem deficiência - auditiva, visual, mental ou física - , ou seja, aproximadamente 25% da população, quais as medidas e as leis que o Governo do Estado deve executar para melhor atender essa parte da população que sofre com a falta de equidade social?
Rosa: A Paraíba é o terceiro estado do Nordeste que apresenta o maior número de pessoas com deficiência, ficando atrás do Rio Grande do Norte e do Ceará, e apresenta uma porcentagem assemelhada ao percentual a nível nacional, a Paraíba tem aproximadamente 24% da população com deficiência. Hoje, ao longo desses 8 anos, o Governo do Estado tem investido muito nessa estruturação de atendimento da pessoa com deficiência, da estrutura física dos locais que precisam estar adequados para melhor atender as pessoas com deficiência; e a FUNAD em si, tem uma qualidade de espaço físico, de material e de qualificação do pessoal que trabalha. Houve um crescimento das solicitações de pessoas para trabalharem na FUNAD, devido ao crescimento da microcefalia, o que resultou na necessidade do Governo de enviar profissionais que pudessem dar suporte no atendimento. Na questão do autismo, houve investimento em materiais, espaço físico e equipamentos para que a equipe pudesse atender de forma mais adequada e capacitada essas pessoas com autismo; em 2011 tínhamos nove profissionais atendendo na FUNAD e hoje em dia temos quase quatrocentos, o que mostra uma resposta ao bom atendimento que estava sendo feito, a procura foi tamanha e o retorno está sendo a qualidade desses profissionais. Sendo mais abrangente, saindo daqui da Instituição, o Governo tem investido na descentralização desse atendimento da pessoa com deficiência em todo o estado, hoje esse centro de reabilitação que é a FUNAD, atende nas quatro deficiências - física, auditiva, visual, mental -, em Campina Grande o antigo prédio da AACD foi transformado em outro centro especializado em reabilitação que também atende as pessoas que possuem as 4 deficiências; em Patos também existe um centro, só que trata apenas duas deficiências- intelectual e física; Catolé do Rocha, Guarabira e Monteiro atendem deficiência auditiva. Então isso está se propagando e com isso, consequentemente, é notório a qualificação e a qualidade do atendimento da pessoa com deficiência, o que evita que ela venha lá de Patos ou do Catolé do Rocha para receber um laudo aqui em João Pessoa, podendo fazer esse procedimento no interior. Agora em dezembro vai ser inaugurada a FUNAD 2, “Funadinha”, em Souza, toda a estrutura física foi levantada, prédio novo, com equipamentos, recursos humanos e a qualificação dos profissionais feita pela Fundação e pela Secretaria de Saúde do Estado que vem monitorando e acompanhando todo esse processo. Hoje a FUNAD faz parte de uma rede de atenção à saúde das pessoas com deficiência, ele é um centro especializado que compõe aquelas demandas que a saúde tem como centros especiais na área de odontologia e núcleos de apoio da família. A FUNAD é hoje um dos equipamentos de saúde que presta atendimento a essas pessoas e constrói essa rede de assistência às pessoas com deficiência juntamente com o Governo do Estado.
Qual a importância do psicopedagogo nas escolas, sejam elas públicas ou privadas, para atenderem os jovens, portadores de deficiência ou não?
Palmira: Eu também sou psicopedagoga e eu acho de suma importância a existência desses profissionais nas instituições, apesar da profissão ainda não ser valorizada. O psicopedagogo é fundamental para atender não só as pessoas com deficiência, mas aquele público que fica fora do atendimento educacional especializado, por exemplo as crianças com hiperatividade; déficit de atenção e com dislexia; esse público que tem os distúrbios de aprendizagem, é totalmente desassistido dentro das escolas, pois eles não entram na parte do público que tem deficiência, ou seja, aqueles que têm o atendimento educacional especializado nas escolas - que é um programa do MEC ( Ministério da Educação), que disponibiliza recursos didáticos e pedagógicos para atender as pessoas com deficiência matriculadas nas instituições regulares de ensino no contra turno , eles estudam pela parte da manhã e na parte da tarde eles têm esse atendimento para poder suprir as suas necessidades no processo de aprendizagem. A criança com dislexia ou com déficit de atenção, elas não podem frequentar esse atendimento o que as deixam desamparadas. Então eu acho importantíssimo a presença do psicopedagogo nas escolas, infelizmente ainda não há um reconhecimento e nem a valorização desses profissionais, mas eu espero que daqui pra frente esse cenário possa melhorar.
Quais as melhorias existentes que foram executadas pelo Governo do Estado na melhoria da qualidade de vida das PCDs?
Na área de acessibilidade foi feita muita coisa pelo Governo do Estado. Principalmente nas escolas. Muitas escolas foram construídas dentro dos parâmetros devidos da legislação e, muitas escolas que já existiam foram reformadas/adaptadas para os alunos com deficiência. Além de hospitais, prédios residenciais e as praças que estão sendo construídas dentro da legalidade da acessibilidade. Essa realidade é uma via que não vai voltar mais, e a população precisa estar consciente e brigando por essa acessibilidade. Hoje a pessoa com deficiência não está mais em casa trancada ou escondida, hoje ela está na rua, na sociedade, indo no cinema e, além de tudo, está exigindo que os shoppings tenham um elevador largo para que caiba a cadeira de roda, que as clínicas tenham acessibilidade, e isso é uma exigência de direito de estar e de participar em todos os espaços que existam. Há uma maior fiscalização, por parte da população, do próprio Governo e da polícia.


sábado, 3 de novembro de 2018

Quebrando o tabu, transpondo as barreiras e desmitificando a estigmatização social das pessoas com deficiência

Por Maria Ricarte
A exclusão social e a discriminação das pessoas com deficiência existe há cerca de muitos anos,os quais eram reprimidos e tratados como incapazes perante a sociedade. Além disso, nota-se que tais ações se preservam atualmente, retomando atitudes arcaicas e preconceituosas. Desse modo,é necessário fazer uma auto reflexão acerca de tal problemática em que haja uma implementação de políticas e tratamentos corretos para que as pessoas com deficiência possam ter as mesmas oportunidades e direitos que toda a população.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil o total de pessoas que declararam possuir pelo menos uma das deficiências - física, intelectual, visual ou auditiva - foi de 45.606.048, representando 23,9% da população, tendo a região Nordeste com a maior concentração e proporção de pessoas com pelo menos um tipo de deficiência, com 26,6%, tendo as regiões Sudeste e Norte 23,0% cada e 22,5% nas regiões Sul e Centro-Oeste. Entre os estados do Brasil, a Paraíba e o Rio Grande do Norte apresentam o maior índice de PcD, possuindo 27,8% da população com alguma incapacidade.
Dentre as deficiências pesquisadas pelo IGBE em 2015, a mais ocorrente entre a população é a deficiência visual (3,6%), e a deficiência física é a segunda com maior número dentre os brasileiros atingindo 1,3% das pessoas. Entretanto, as pessoas com deficiência física, possuem maior incidência no mercado de trabalho, sendo que essa inclusão aumenta a partir dos 25 anos de idade.
Atrelado a essa realidade, a educação tem um papel fundamental no aumento da inclusão social da pessoa com deficiência, não só no mercado de trabalho mas na sociedade como um todo. Em uma pesquisa feita pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), os mais escolarizados ocupam as maiorias das oportunidades de emprego. Em 2016, no ano em que a pesquisa foi feita, dos 418.521 contratados, 275.222 PcDs eram formados no ensino médio, possuíam ensino superior incompleto ou estudos superiores concluídos.
A inclusão da PcD no mercado de trabalho, nas escolas, o atendimento nos postos de saúde, acesso ao passe livre e a isenção de impostos na compra de carros adaptados são direitos, independente do tipo de deficiência que apresente, contribuindo assim uma transformação da realidade, que necessita de novos avanços instrumentais e qualitativos na vida social dessas pessoas. Dessa maneira, é imprescindível que as leis e os decretos que asseguram os direitos e deveres das pessoas com deficiência sejam respeitados e efetivados.
Em uma entrevista com Edjanio Pereira Marques de 45 anos de idade, estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ele conta que foi acometido pela Sequela de Pólio - comumente conhecida como paralisia infantil - aos dois anos de idade. Inicialmente ele teve tetraplegia e, após o tratamento, conseguiu reatar os movimentos dos braços e das pernas porém, passou a ter o atrofiamento das pernas. Edjanio faz parte dos brasileiros com deficiência que têm carteira assinada, porém ele afirma que o preconceito é uma das principais barreiras entre as Pcds e o mercado de trabalho.

Descrição para cegos: Edjanio está em pé em frente ao seu carro, da cor preta, sorrindo para a foto. Fonte: Maria Ricarte





Quem é você?
Me chamo Edjanio Pereira Marques, tenho 45 anos e sou natural de Patos, aqui da Paraíba mesmo. Estou morando em João Pessoa desde 1995, há 23 anos. Tive, o que se chamava antigamente de “Paralisia Infantil”,  porém o nome científico é Sequela de Pólio. Eu fui acometido pelo vírus quando eu tinha dois anos e, inicialmente, eu fiquei tetraplégico, não mexia nada além da cabeça. Depois, com o tratamento, eu fui recuperando o movimento do braço e das pernas, porém depois eu fiquei, com a sequela de Pólio, com o atrofiamento dos membros, o direito foi bem mais afetado do que o esquerdo. Sou casado há cerca de 18 anos, temos uma filha Ester que é o amor da minha vida, o motivo da minha luta, da minha batalha e hoje eu me sinto extremamente realizado.

Como foi a sua trajetória, desde a infância até a vida adulta? E qual o papel dos seus pais e familiares nessa jornada?

No início foi bem difícil, até porque eu venho do sertão, uma região do estado difícil no sentido de suporte em termo de saúde, uma área em que as dificuldades são bem maiores do que na capital, ainda mais você sendo desprovido de recursos e no momento em que meus pais se viram na situação tendo um filho deficiente, eles tinham que fazer alguma coisa. Eu agradeço a Deus por ter me dado um pai e uma mãe que tiveram uma conduta extremamente louvável no sentido de correr atrás de uma solução para a minha situação, até porque aos olhos humanos a cura era quase impossível e naquela época o tratamento era mais difícil de conseguir uma recuperação dentro da “normalidade”. Meus pais foram muito valentes, lutaram muito para eu chegar onde eu cheguei. Eles me educaram, me deram amor e carinho, suporte emocional e, acima de tudo, me criaram de uma forma que me orgulho. No começo foi tudo bem difícil, pois eu tive que me sujeitar a sete cirurgias e uma coisa que me orgulha foi o que minha mãe me disse, “Eu só vou te deixar no dia em que você estiver andando com a suas próprias pernas”, e ela cumpriu. Hoje lamentavelmente não tenho nem minha mãe nem meu pai, mas sou extremamente feliz por tudo o que eles fizeram. Hoje eu já dirijo, eu tenho um carro adaptado, eu mesmo faço as adaptações com alguns parceiros, tenho uma alegria imensa pelo muito que já alcancei, hoje faço uma faculdade e me vejo muito bem em relação a tudo. A gente vê as pessoas ditas “normais”, em que elas alcançam o sucesso, uma qualidade de vida mais elevada, com mais oportunidades, e eu posso dizer que apesar de tudo, eu me considero muito afortunado e feliz.


Você trabalha ou já trabalhou? Se sim, quais as principais dificuldades que você encontrou no mercado de trabalho, tanto para ingressar nele como para permanecer efetivado?
Atualmente estou trabalhando. Já tenho uma certa experiência dentro do mercado de trabalho, eu comecei trabalhando como auxiliar administrativo em uma academia; depois fui trabalhar na Telpa, que hoje conhecemos como Telemar; passei seis meses trabalhando nas lojas Maia, conhecidas como Magazine Luiza; por fim, fui convidado a trabalhar na UNIMED, onde fiquei cerca de 17 anos, saí de lá ano passado (2017) e hoje trabalho no Hospital Nossa Senhora das Neves. Tive uma experiência empregatícia sempre na área de saúde, já trabalhei em dois hospitais, porém as dificuldades são muitas, porque antes de tudo precisamos transpor a barreira do preconceito, de sermos vistos com pena pelos outros. Nós somos iguais a qualquer pessoa, temos nossas limitações, mas nossas limitações não são nossos limites, o fato de eu ter uma sequela de pólio, de ter uma deficiência em uma das pernas, não me faz menor ou incapaz em relação a ninguém.

Você acha que o mercado de trabalho ainda precisa melhorar as condições de inserção das PcDs (pessoas com deficiência), visto que apenas 0,7% dessas pessoas ocupam as vagas de empregos no Brasil?
Nós estamos ainda muito longe de termos um mercado compatível com as nossas necessidades. Eu passei recentemente um ano desempregado, surgiam oportunidades, mas dentro de cada momento que existiam as oportunidades, existiam também “N” dificuldades para a pessoa com deficiência, era apenas uma forma de burlar a lei. As empresas não contratam pessoas com deficiência porque acham que devem contratar, por querer ter pessoas com deficiência trabalhando, eles fazem puramente por ser uma lei, porque a legislação obriga a ter um percentual dentro das empresas. Ao meu ver, a  dificuldade dentro do mercado de trabalho é ainda o preconceito, a maneira que somos vistos como uns “coitadinhos”, que temos limitações e não vamos conseguir realizar o serviço corretamente. Falta ter uma mudança de visão sobre nós como pessoas, enquanto profissionais. Hoje em dia isso vem mudando, a maioria das pessoas com deficiência tem buscado se aprimorar, estudar, se formar, terem cursos profissionalizantes. Eu reconheço que fiquei muito tempo omisso, no sentido de buscar uma melhora em termos de estudo para mim, somente agora, há três anos, é que eu vim realmente valorizar a oportunidade de estudar. Hoje eu estudo Jornalismo na UFPB, e estou extremamente feliz de fazer uma coisa que eu gosto, de estar me envolvendo com comunicação, com pessoas.

Quais as dificuldades que você encontra, em termo de acessibilidade, dentro da UFPB?
Eu acho que uma das maiores dificuldades que enfrento aqui na UFPB, é o acesso às salas. Nós tivemos que mudar de sala, esse é o terceiro ano consecutivo, porque o elevador existe, mas não funciona. E aí vem o questionamento, “Mas por que não funciona?”, e ninguém consegue responder. Infelizmente vivemos num país que quando as coisas são para a “minoria”, elas ficam mais difíceis e eu estou nesse grupo. Aqui na universidade, o nível de acessibilidade é muito pequeno. Encontramos as pessoas ditas “normais” ocupando as vagas das pessoas com deficiência, dificultando o acesso às rampas; falta também indicação mais precisa nas calçadas, tanto para as pessoas com deficiência física quanto visual; as sinalizações verticais e horizontais são precárias, é uma coisa que não tem quase indicação nenhuma.

Seu carro é adaptado? Você conseguiu a isenção de impostos na hora da compra?
Eu comprei o meu primeiro carro sem isenção. Quando eu comprei, foi para ter a minha primeira experiência com o carro, de dirigir, de ter a minha autonomia, se eu fosse na concessionária para adquirir o processo de isenção do IPI e do ISMS, ia ser mais demorado. Já o segundo, eu comprei zero e também sem a isenção, o que já foi por opção. Por já ter um carro, eu fui na loja e comprei o que eu queria, que no caso foi o Gol que eu tenho até hoje. Mas, o objetivo, a princípio, é fazer o uso dos nossos direitos porque lutamos muito para alcançá-los.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Enem 2017 discute a educação de surdos na redação

Descrição para cegos: Candidatos do Enem 2017 entrando na escola para realização do exame. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Por Tiago Bernardino

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017 provocou a sociedade a pensar sobre a educação de pessoas com deficiência. Na prova de redação, aplicada no último domingo (5), o tema proposto para o candidatos foi "desafio para a formação educacional de surdos". Além da abordagem da temática na avaliação, nesta edição foi disponibilizada a possibilidade de fazer a prova por meio de videoprova traduzida na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

domingo, 13 de novembro de 2016

UFPB tem programa de apoio para alunos com deficiência

Descrição para cegos: foto mostra o aluno Otto
de Sousa, do Curso de Rádio e TV, sendo
auxiliado por sua apoiadora, que lê alguns papéis.

Por William Veras


Se as dificuldades acadêmicas, barreiras e desafios já são visíveis para quem não possui nenhum tipo de deficiência, imagine as dificuldades que uma pessoa com alguma necessidade especial enfrenta, em todos os aspectos, durante a sua vida acadêmica.
Foi pensando nisso que o Comitê de Inclusão e Acessibilidade da Universidade Federal da Paraíba criou o programa Aluno Apoiador, que visa disponibilizar estudantes para auxiliar a pessoa com deficiência dentro e fora da sala de aula, incluindo suporte pedagógico e comunicacional, ajuda na mobilidade dentro do campus, organização de materiais em formatos acessíveis e acompanhamento em todos os eventos acadêmicos que o aluno necessitar participar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Pesquisa busca meios para ensino de língua estrangeira a deficientes visuais

Descrição para cegos: a foto mostra a professora Betânia Medrado, usando óculos escuros e sorrindo para a câmera. O nome da docente está em destaque no canto superior direito. 
O trabalho leva em conta que os métodos tradicionais de ensino de outros idiomas criam barreiras para quem não consegue ver. A pesquisa é orientada pela professora Betânia Passos Medrado, do Centro de Ciências Humanas e Letras da UFPB. Nela, são desenvolvidos protótipos de material didático e propostas de novas formas para o uso do quadro na sala de aula. Ouça a reportagem que produzi para o programa Espaço Experimental, da Oficina de Radiojornalismo do Curso de Jornalismo da UFPB. (Luiz Lambert):

sábado, 12 de dezembro de 2015

Educação é direito de todos


Descrição para cegos: a imagem mostra carteiras enfileiradas numa sala de aula.
Por Marília Araújo
Um dos grandes desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência é a luta pelo acesso ao ensino regular. Assegurar a todos a igualdade de condições para o acesso à escola e a permanência nela, sem discriminação, é um princípio que está previsto na Constituição desde 1988, porém o processo de inclusão tem encontrado muitas barreiras no tocante à educação.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

III Colóquio sobre Direitos da Pessoa com Deficiência – com Windyz Ferreira e Alceni Maria

Descrição para cegos: foto mostra Windyz à esquerda e Alceni à direita, sentadas, e a câmera filmando-as, com elas aparecendo no visor

O III Colóquio sobre Direitos da Pessoa com Deficiência foi realizado no dia 1º de dezembro pela turma de Jornalismo e Cidadania do Curso de Jornalismo na UFPB. As convidadas foram a professora Windyz Brazão Ferreira e a pedagoga Alceni Maria da Silva, que tem visão subnormal e é servidora da Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência da Paraíba (Funad). O colóquio foi organizado por Gabriela Garcia, Luiz Lambert, Marília Araújo e Marília Cordeiro.

Assista ao colóquio a seguir:

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A discriminação mora ao lado

Descrição para cegos: a imagem mostra seis esculturas de macacos: três maiores e três menores. As menores estão à frente e têm a cor azul. Eles aparecem fechando a boca, os ouvidos e os olhos. Os três macacos maiores estão atrás e são marrons. Eles fazem os mesmos gestos: um fecha a boca, o outro os ouvidos e o outro os olhos. 

Por Marília Araújo


Eu estava lá, ao lado da porta, pedindo que me ajudassem a subir a rampa íngreme. E você, nem a minha presença sentiu. Eu estava lá, na calçada, sem saber se o sinal abriu. E você tampouco me viu.
Eu pedi ajuda, com gestos simples, e parece que isso te amedrontou. E quando não pude ouvir o que disse, você de pronto me ignorou.
Eu precisei de educação de qualidade, e você não atendeu. Mostrou quanto era difícil adaptar a escola para “uma pessoa como eu”.
Você viu o meu currículo e quis me contratar, mas ao ver minha diferença, precisou ensaiar desculpas para me incapacitar.
Tudo isso foi tão pouco, mas se lhe pareceu casual, permita que eu informe: isso não é natural. Se ainda existe discriminação, quem é deficiente, afinal?

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Preconceito dificulta a inclusão do doente mental no ensino médio

Descrição para cegos: a imagem retrata a professora Silvana Carneiro Maciel. Ela sorri para a câmera e seu nome está destacado em letras azuis no canto inferior direito. O fundo da imagem é da cor azul.
Projeto orientado pela professora Silvana Carneiro Maciel, do Centro de Ciências Humanas e Letras da UFPB, identificou esse preconceito. O resultado da pesquisa demonstra a necessidade da implementação de uma política específica para o doente mental da educação. A professora defende uma ação inclusiva mais eficiente, como acontece com os deficientes físicos. Isso contribuirá para quebrar as representações sociais equivocadas e incluí-los socialmente. Ouça a reportagem que produzi para o programa Espaço Experimental, da oficina de Radiojornalismo do Curso de Jornalismo da UFPB. (Luiz Lambert):

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Ensino de Matemática para deficientes

Descrição para cegos: na imagem há uma equação matemática escrita em um papel branco e, ao lado, a ponta de um lápis grafite.
Disciplina optativa oferecida no curso de Licenciatura em Matemática da USP propõe uma nova abordagem metodológica para o ensino a pessoas com deficiência. Recriar a maneira de ensinar é uma ação que busca a inclusão de alunos especiais nas escolas. (Luiz Lambert)


Curso recria ensino de matemática para pessoas com deficiência


Por Jéssica Gonsalves
“O dever mais difícil pra você, qual é? – Matemática.

Tem muitas contas pra resolver? – Sempre.”

Lucas Braga, de cinco anos de idade, não é o único que tem medo da matemática. Só de pensar em números, fórmulas e contas, muita gente fica de cabelo em pé. E as tarefas podem ser ainda mais difíceis pra pessoas com deficiência.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Os desafios da inclusão na educação

Descrição para cegos: a imagem mostra a mão de uma pessoa lendo uma página escrita no Sistema Braille.
O artigo “A Educação Inclusiva é Transversal?” de autoria da pedagoga Luciene Molina, instiga o leitor a se perguntar se a educação é inclusiva e igualitária. Luciene nasceu com baixa visão e ficou totalmente cega aos 17 anos. Ela é professora da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), em São José dos Campos – SP, e é reconhecida pelas contribuições para o avanço do Ensino a Distância (EaD) para pessoas com deficiência visual no Brasil. Confira o artigo abaixo. (Mabel Abreu)