| Descrição para cegos: mãos com terra. Em uma delas, uma pequena flor amarela se destaca. |
Por Rebeka Akber
Eu nunca vi a luz do sol, nunca pude
contemplar o mar, nem minha mãezinha a quem tanto amo, pude sua graça e doçura
enxergar. Nasci cego, e foram tantas as vezes que me considerei incapacitado, e
desejei não ter nascido. Fiz até mais que isso, desejei ter nascido surdo
também, para não ter que ouvir minha família chorar nas incontáveis vezes que
eu fiz cirurgias, para tentar ao menos vultos enxergar, e que nunca deram
resultados. Rezei, chorei, implorei.
Mas certo dia, e, diga-se de passagem,
um lindo dia, aceitei e compreendi. Pedi para que minha mãe me levasse à praça
de nosso bairro, e ela, como de costume, deixou-me lá e retornou para nossa
casa, para continuar seus afazeres. Minha mãe foi e ali estava eu sentado, sentindo
apenas o vento bater em meu rosto, em pensamentos distantes, senti que alguém
se aproximava. Pensei que minha mãe havia retornado. Foi quando uma linda
garotinha, sim tenho certeza de que ela deve ser linda, pois sua alma deve
ser tão bela quanto seus pequenos traços, se apresentou.