terça-feira, 6 de novembro de 2018

Maternidade e autismo: quebrando o tabu, vencendo as barreiras e mudando a perspectiva sobre o mundo


Descrição para cegos: Alice no Aquário Marinho do Rio de Janeiro
Fonte: Instagram

Por Maria Ricarte

O autismo foi descoberto em 1943 pelo psiquiatra Leo Kanner, nos Estados Unidos, e de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), existem dois milhões de autistas no Brasil. Em relação à infância, a Organização estima que o transtorno do espectro autista (TEA) afete uma em cada 160 crianças no mundo. Entretanto, o diagnóstico não é tão simples de ser feito. O fato de não existir um exame específico que indique o transtorno – a avaliação deve ser clínica e feita por uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo -, os sintomas são comumente confundidos com surdez, já que a criança não responde aos estímulos; deficiência intelectual; e problemas de linguagem.

Por isso, mediante qualquer desconfiança sobre o desenvolvimento da criança, é necessário procurar o acompanhamento de um especialista, visando começar precocemente as intervenções e melhorar o prognóstico da criança. É importante procurar as terapias adequadas o quanto antes, porque assim,  o sistema nervoso poderá responder aos estímulos mais rapidamente. Mesmo que ainda não haja um medicamento específico para o autismo, a criança deve ser acompanhada por um fonoaudiólogo para que ele ajude-a a desenvolver a linguagem não-verbal. A estimulação pode ser feita com brincadeiras e jogos, contação de histórias e conversa.

Cada pessoa com autismo é diferente da outra, existem muitos espectros da síndrome, mas a dificuldade de compreensão e comunicação com outras pessoas é uma dificuldade comum entre elas. Além desses sinais, há outros que podem se manifestar em algumas pessoas com o espectro autista, porém não é algo que, necessariamente, tenha que desenvolver em todos eles. Os surtos nervosos, por exemplo, podem vir acompanhados de automutilação e agressão; hiper ou hipo sensibilidade também podem se manifestar de forma diferente nos cinco sentidos da criança; e, por fim, no paladar, em que a pessoa não tolera determinados sabores e, por isso, insiste em comer sempre os mesmos alimentos.

Alguns sinais de alerta:

- Não responder ao nome aos 12 meses;

- Não apontar objetos aos 14 meses;

- Não brincar de faz de conta aos 18 meses;

- Falta de contato visual e querer ficar sozinho;

- Ter interesses obsessivos;

- Ficar extremamente abalado por pequenas mudanças;
- Agitação excessiva;
- Reações inesperadas ao barulho de coisas, cheiros, gostos.


Buscando quebrar o tabu, compreender e mostrar a realidade dos pais e mães das crianças que foram diagnosticadas com o espectro autista, foi feita uma entrevista com Viviany Santos Lima Ricarte de 39 anos, mãe de Alice Lima Ricarte que, com um ano e quatro meses de vida, passou a desenvolver alguns desses sintomas citados acima, como: a falta de contato visual; reagia diferente a determinados barulhos; atraso na fala; e, parou de reparar no ambiente que estava a sua volta.


Descrição para cegos: Viviany ao lado direito fazendo uma pose imitando a imagem do Hulk - um Super Herói -, que está estampado na camisa que ambas estão vestindo; e, Alice sorrindo ao mesmo tempo em que tenta imitar a pose da  mãe, ao lado esquerdo da foto.
Fonte: Instagram


Quem é você?
Me chamo Viviany Santos Lima ricarte, tenho 40 anos e, atualmente, sou dona de casa e mãe de Alice Lima Ricarte de quatro anos. Acabei deixando de ajudar meu marido no comércio para me dedicar a Alice, que é a minha prioridade hoje.

Quando você descobriu o autismo de Alice? Ela tinha que idade?
Eu comecei a suspeitar que ela tinha autismo com um ano e quatro meses, ela vinha tendo o desenvolvimento normalmente, sendo que com um ano ela parou de falar “papai” e “mamãe”, parou de responder ao “tchau” que as pessoas davam a ela, parou de me seguir pela casa e parou de prestar atenção ao seu redor. Então, a partir daí, comecei a questionar, junto ao meu marido, e foi aí que eu levei essa minha visão para a pediatra.

Ela estuda em alguma instituição de ensino? Pública ou privada?
Alice estuda numa instituição privada desde que ela tinha um ano e meio. Meu intuito era colocar ela na escola quando ela completasse os dois anos de idade, mas como ela começou a desenvolver essa mudança de comportamento, coloquei antes.

Quais foram as dificuldades enfrentadas para achar escolas que tivessem profissionais capacitados e com estrutura física adequada para melhor atender Alice e as outras crianças?
Não apresentei a suspeita de autismo para a escola, apenas apontei que havia um atraso na fala dela, até para ver o que a escola poderia me ajudar em relação a ficar observando o comportamento dela. Escolhi uma escola pequena, que não tivesse muitos alunos por turma para ver se tinha uma atenção maior em relação aos estudantes. Na minha cabeça, isso poderia me ajudar a descobrir minha filha e me ajudar a entender aquilo tudo o que eu estava passando. Busquei uma escola de renome na cidade, que tivesse algum tipo de reconhecimento, mas não busquei em relação ao autismo em si.

Você leva Alice para algum médico especialista na área do autismo? Para você, qual a importância do acompanhamento médico especializado dos jovens com autismo e, encontrar esses profissionais, é algo acessível?
Alice tem um acompanhamento de uma neurologista, neuropediatra e de um psiquiatra infantil. Vou ao neuro uma vez ao ano e no psiquiatra de seis em seis meses, se surgir uma dúvida eu sempre converso com ele. Acho importantíssimo que haja esse acompanhamento, primeiro para os pais, porque a gente não tem noção de nada do que é o autismo, pelo menos para mim ouvir o que é autismo é tudo muito novo, então eu precisava de alguém que me explicasse e me ajudasse em que direção eu deveria ir, que rumo eu deveria tomar. Somos bombardeados o tempo todo sobre falsas curas, informações que levam a gente a acreditar em coisas que não são verdadeiras, e por isso precisamos ter o acompanhamento e a ajuda de um profissional, porque filtrar isso por si só é muito difícil, temos que saber dividir o que é verdade e o que é mentira para não maltratar o seu filho.
No meu caso, eu quis ter muito cuidado, mesmo com todo o sofrimento que eu estava passando, eu não quis tomar decisões erradas, então eu fui ao neurologista, ele me passou uma fono, depois terapia ocupacional - primeira coisa que Alice fez - e diante disso, fui ao psiquiatra no Rio de Janeiro que é especialista em autismo. Para mim, ele foi um divisor de águas, ele me explicou claramente como funcionava o cérebro de minha filha, porque só falavam para mim o que era autismo, mas não como funcionava o cérebro da minha filha, e ele me explicou. Me explicou como era o processo, das possibilidades, me mostrou que não era o fim e sim um começo e quanto mais a gente estimular, abraçar a nossa filha- no sentido de abraçar a causa mesmo - mais vai ver o resultado.
Então foi um divisor de águas conhecer Doutor Caio, conhecer profissionais que entendam a dor dos pais, olhar para eles e ser justo, não inventar mil e uma coisas sobre tratamento em que os pais acreditem e queiram fazer tudo o que está sendo proposto - o que acaba prejudicando até a criança. A gente tem que ter muito cuidado com a gente e com as crianças, temos que estar saudáveis para poder ajudá-las.

De que forma a sociedade, o governo e as instituições de ensino podem contribuir para o desenvolvimento da inclusão de crianças e jovens autistas?
Eu acho que falta muita capacitação, as pessoas não entendem o que é o autismo. Eu por exemplo, enxergava o autista como uma pessoa que se fechava no mundo dela e não fazia mais nada, era uma ignorância da minha parte. Hoje eu vejo que o autismo não é uma doença, é uma condição e que nós temos que receber e entender essas pessoas. Perceber que aquele barulho está incomodando, aquela luz não tá legal, que determinado estímulo não está agradando, então é muita coisa para ser feita. Eu acho que os professores precisam ter uma capacitação, não só para as pessoas com autismo, mas para todas as pessoas com deficiência. O autismo é uma crescente, não se sabe se é porque o número de pessoas com autismo cresceu ou se o diagnóstico passou a ser melhor executado.
Existem vários graus de autismo: o leve, quase imperceptível; moderado; e o severo, sendo o que as pessoas mais percebem. Os profissionais precisam estar capacitados para atender essas crianças, às vezes eles estão tão engessados e acostumados a trabalhar de uma forma que, só sabem trabalhar daquela maneira, eles tem que começar a ter outro olhar, saber contornar as dificuldades, movimentar o corpo, desenhar, cativar a criança, trazer elas para a gente. Os governantes não se importam com essa realidade, o que dificulta para nós que somos pais. Porque tudo é muito caro, tudo de Alice é particular, não temos auxílio de nada, nem do plano de saúde - agora estamos entrando com essa questão do plano de saúde para ele poder nos ressarcir.
Eu fico imaginando as pessoas que não tem condições para bancar isso, porque além de você ter o sofrimento de pai, você ainda não tem o dinheiro para fazer as terapias, o tratamento e de ao menos colocar o seu filho na escola. É tudo muito sofrido, então a gente não tem um conjunto de coisas: escolas públicas capacitadas, médicos e remédios disponíveis e acessíveis para toda a população.

Ser mãe de uma criança autista mudou sua perspectiva em relação ao autismo? Como que você lidou com o diagnóstico e o que você aprendeu com ele?
Na verdade eu não tinha noção nenhuma do que era o autismo. Quando eu recebi a notícia do autismo, só vinha imagens de filmes e novelas que eu assisti que tinham personagens autistas, não havia ninguém próximo a mim que tivesse autismo. Enfim, para mim, foi uma das coisas mais difíceis de escutar e de entender, porque eu digo que, hoje eu me considero uma outra pessoa, eu vejo o mundo de outra forma, tudo o que eu pensava, que eu imaginava, que eu sonhava, eu percebi que é tudo tão pequeno diante de uma coisa muito maior. A realidade é que você nunca imagina que isso vai chegar até você. A condição de minha filha - me ensinou a amar alguém incondicionalmente que tenha dificuldade de demonstrar esse afeto para você, e você tenta fazer de tudo para extrair esse amor desse ser tão pequenininho de volta. Eu sei que ela me ama, mas ela tem a dificuldade de demonstrar.
Então para mim foi muito difícil, eu amadureci de uma forma que eu nem sei explicar a profundidade, de me ver diante de uma dor imensa e me obrigar a levantar para fazer por ela tudo o que estiver  ao meu alcance, porque se eu não fizer quem é que vai fazer? Eu aceito a condição da minha filha, ela é autista, mas eu vou fazer o que estiver ao meu alcance para extrair dela tudo o que for possível, para ela poder caminhar sozinha e fazer as escolhas dela. Então eu preciso fazer isso por ela e não por mim, fazer com que Alice chegue aonde ela quiser chegar, eu tenho que fazer a minha parte. Eu sei que ainda temos muito o que percorrer, ela tem quatro anos ainda. Teremos muitas lutas, ela vai trocar de escola, vai vir a adolescência e tudo isso a gente não pode ficar pensando no amanhã, eu luto pelo hoje dela, sem pensar no futuro.
No início eu chorava muito, porque eu ficava pensando no futuro: “Como é que Alice vai viver?”; “O que ela vai ser?”; “O que será que vai acontecer?”, então eu parei de pensar nisso. Eu vivo o hoje e só. O fato dela ter conseguido escrever o nome dela, de saber o alfabeto, de estar conseguindo brincar com os coleguinhas, como o que ela está aprendendo. Quando a gente recebe a notícia de autismo, a gente fica pensando no amanhã, de como é que vai ser daqui pra frente e eu parei completamente de pensar nisso, quando vem esse pensamento eu vou e tiro. Então, não é fácil, mas quando eu conheci outras mães, ouvi outras histórias, eu vi que eu não estava sozinha. E eu posso dizer que essas pessoas são maravilhosas e eu pude ver como o amor é grande, como ele transforma uma pessoa, você amar infinitamente uma pessoa e você quer o bem dela e mais nada. Só a felicidade.

FUNAD: contribuindo, assegurando e promovendo os Direitos das PCDs no território paraibano

Descrição para cegos:  um menino em pé ao lado de quatro cadeiras de rodas encostadas na parede. Fonte: Maria Ricarte

Por Maria Ricarte


Diversas políticas públicas foram implementadas ao longo dos anos com o intuito de preservar e assegurar a inclusão social e a garantia dos Direitos Humanos das pessoas com deficiência. Essas transformações ocorreram entre diversas  áreas sociais, dentre elas a área da educação; saúde; assistência social; trabalho e geração de renda foram as que tiveram mudanças significativas.
Com as transições e  avanços na legislação, e principalmente na maneira de consumar políticas públicas, havendo uma alternância de modelo integralista para um inclusivo - saindo de um sistema que exclui para um que agrega a população em todos os âmbitos sociais -, alteram-se, consequentemente, as formas de tratamento das pessoas com deficiência, em que alguns termos que eram empregados passam a não ser mais apropriados.
Os termos: excepcional; deficiente; pessoa portadora de deficiência; portadores de necessidades especiais e pessoas normais ou ditas normais; já não são mais permitidos, visto que não são adequados para tratar as pessoas com deficiência. Sendo corretos a utilização dos seguintes termos: pessoa com deficiência auditiva; pessoa com deficiência física; pessoa com deficiência intelectual; pessoa com deficiência visual.
Visando implementar políticas, programas e serviços nas áreas de inclusão social, saúde e educação, voltado para as pessoas com deficiência, a FUNAD ( Fundação de Apoio ao Portador de deficiência), localizada na Paraíba, disponibiliza uma equipe multidisciplinar onde as pessoas com deficiência são atendidas.
A Fundação é um Órgão do Governo do Estado da Paraíba, vinculada a Secretaria de Estado da Educação, e atende pessoas de todas as idades com deficiência, seja ela intelectual, visual, auditiva, física, múltipla, Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD), Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e pessoas com altas Habilidades/superdotação.
Diante desse cenário, foi feita uma entrevista com a Coordenadora do Núcleo de Educação Permanente (NEP) dentro da FUNAD, Rosa Helena, e com a Psicopedagoga que faz parte da equipe do NEP, Palmira Araújo, com o intuito de conhecer um pouco mais da Fundação e da visão sobre as políticas implementadas para assegurar a equidade social das pessoas com deficiência.


Descrição para cegos: As entrevistadas sorrindo para a foto. Ao lado esquerdo está Palmira e ao lado direito está Rosa Helena. Fonte: Maria Ricarte
O que é a FUNAD?
Rosa: A FUNAD é um órgão da secretaria do governo do estado, ligado a Secretaria de Educação, que já vem fazendo um trabalho de assistência, habilitação e orientação sobre a política de atendimento à pessoa com deficiência desde 1990. Ela vem fazendo esse trabalho em todo o estado, obedecendo a legislação e a política pública de atendimento à pessoa com deficiência, que rege todo o Brasil. Ela não presta apenas assistência, não é uma situação isolada. Ela agrega, procura defender os direitos, proporciona a reabilitação da pessoa com deficiência, a capacitação dos professores que estão na escola para poderem atender os alunos com deficiência de forma coerente e, além disso, promove qualidade de vida, bem estar e autonomia para a pessoa com deficiência na sua vida como um todo.
Quais são os projetos existentes na Fundação para ajudar às PCDs ( pessoas com deficiência)?
Rosa: A gente promove a reabilitação para aquela pessoa que recebeu o laudo comprovando a existência de deficiência, eles vão para o processo de reabilitação que tem as atividades mostrando os Direitos das PCDs - que é justamente a área de proteção social - , e também promove a educação inclusiva - que não é um projeto só da FUNAD mas é um projeto elencado, determinado e traçado pelo Ministério da Educação. Esse projeto referente à educação inclusiva tem dois objetivos; um é a formação dos professores da rede pública de ensino; e o segundo viés, é o assessoramento às escolas. Existe uma assessoria de educação especial que faz esse trabalho, existem técnicos que atendem as escolas e a essas famílias que procuram ajuda, a finalidade seria dar as orientações devidas visando a inclusão escolar dessas pessoas com deficiência. Temos também outro projeto em que oferecemos o curso de Libras e de Braille para professores - para que eles possam ficar capacitados na questão da acessibilidade - , para a comunidade e para as próprias pessoas surdas e cegas - para que elas possam se apropriar da Linguagem Brasileira de Sinais e do Braile.
Palmira: Uma proposta que eu acho interessante é a CIL( Central de Interpretação de Libras) que a gente tem aqui. A CIL, é uma proposta do governo federal em que teve o apoio do Governo do Estado , teve sua central trazida para a FUNAD justamente para atender todas as pessoas surdas que procurarem e agendarem um atendimento. Existe uma equipe preparada para atender essas pessoas, com a finalidade de ajudá-las em consultas médicas, audiências jurídicas, fazer BO, ir na delegacia ; o intérprete vai nesses locais para poder mediar essa comunicação do surdo com a pessoa do órgão em questão. Essa assistência existe em João Pessoa, Guarabira, Campina Grande e em Patos.
Quais são os resultados, os dados alcançados, pela Instituição no atendimento das pessoas assistidas pela instituição?
Rosa: Atualmente mais ou menos temos 5 mil usuários sendo atendidos por mês, sendo de todas as faixas etárias de criança a adulto, não tem discriminação de raça, nem de poder aquisitivo, qualquer pessoa que queira identificar a existência dessa deficiência está apta a vir na Fundação para ser atendida. O pré-requisito mais básico e o mais importante é que tenha o cartão do SUS, no momento em que ele deseja abrir o protocolo, ele precisa trazer alguns documentos que são: cópia de carteira de identidade; RG; CPF; cartão SUS; comprovante de residência e foto 3x4; que a partir dai você abre o protocolo na coordenação de triagem, e com essa documentação, ele agenda uma avaliação multiprofissional para definir se tem ou não aquela deficiência, para que ele possa receber o laudo alegando essa deficiência com o intuito de ser atendido por uma equipe especializada e, para que ele possa assegurar os seus direitos: Direito ao passe livre; Direito ao acesso do programa BPC na escola ( estimula e monitora a permanência dos jovens com deficiência nas escolas), Direito de ser inserido no mercado de trabalho (através da lei de cotas). Tudo isso é possível através desse laudo que foi feito.
Visto que, cerca de 45 milhões de pessoas tem deficiência - auditiva, visual, mental ou física - , ou seja, aproximadamente 25% da população, quais as medidas e as leis que o Governo do Estado deve executar para melhor atender essa parte da população que sofre com a falta de equidade social?
Rosa: A Paraíba é o terceiro estado do Nordeste que apresenta o maior número de pessoas com deficiência, ficando atrás do Rio Grande do Norte e do Ceará, e apresenta uma porcentagem assemelhada ao percentual a nível nacional, a Paraíba tem aproximadamente 24% da população com deficiência. Hoje, ao longo desses 8 anos, o Governo do Estado tem investido muito nessa estruturação de atendimento da pessoa com deficiência, da estrutura física dos locais que precisam estar adequados para melhor atender as pessoas com deficiência; e a FUNAD em si, tem uma qualidade de espaço físico, de material e de qualificação do pessoal que trabalha. Houve um crescimento das solicitações de pessoas para trabalharem na FUNAD, devido ao crescimento da microcefalia, o que resultou na necessidade do Governo de enviar profissionais que pudessem dar suporte no atendimento. Na questão do autismo, houve investimento em materiais, espaço físico e equipamentos para que a equipe pudesse atender de forma mais adequada e capacitada essas pessoas com autismo; em 2011 tínhamos nove profissionais atendendo na FUNAD e hoje em dia temos quase quatrocentos, o que mostra uma resposta ao bom atendimento que estava sendo feito, a procura foi tamanha e o retorno está sendo a qualidade desses profissionais. Sendo mais abrangente, saindo daqui da Instituição, o Governo tem investido na descentralização desse atendimento da pessoa com deficiência em todo o estado, hoje esse centro de reabilitação que é a FUNAD, atende nas quatro deficiências - física, auditiva, visual, mental -, em Campina Grande o antigo prédio da AACD foi transformado em outro centro especializado em reabilitação que também atende as pessoas que possuem as 4 deficiências; em Patos também existe um centro, só que trata apenas duas deficiências- intelectual e física; Catolé do Rocha, Guarabira e Monteiro atendem deficiência auditiva. Então isso está se propagando e com isso, consequentemente, é notório a qualificação e a qualidade do atendimento da pessoa com deficiência, o que evita que ela venha lá de Patos ou do Catolé do Rocha para receber um laudo aqui em João Pessoa, podendo fazer esse procedimento no interior. Agora em dezembro vai ser inaugurada a FUNAD 2, “Funadinha”, em Souza, toda a estrutura física foi levantada, prédio novo, com equipamentos, recursos humanos e a qualificação dos profissionais feita pela Fundação e pela Secretaria de Saúde do Estado que vem monitorando e acompanhando todo esse processo. Hoje a FUNAD faz parte de uma rede de atenção à saúde das pessoas com deficiência, ele é um centro especializado que compõe aquelas demandas que a saúde tem como centros especiais na área de odontologia e núcleos de apoio da família. A FUNAD é hoje um dos equipamentos de saúde que presta atendimento a essas pessoas e constrói essa rede de assistência às pessoas com deficiência juntamente com o Governo do Estado.
Qual a importância do psicopedagogo nas escolas, sejam elas públicas ou privadas, para atenderem os jovens, portadores de deficiência ou não?
Palmira: Eu também sou psicopedagoga e eu acho de suma importância a existência desses profissionais nas instituições, apesar da profissão ainda não ser valorizada. O psicopedagogo é fundamental para atender não só as pessoas com deficiência, mas aquele público que fica fora do atendimento educacional especializado, por exemplo as crianças com hiperatividade; déficit de atenção e com dislexia; esse público que tem os distúrbios de aprendizagem, é totalmente desassistido dentro das escolas, pois eles não entram na parte do público que tem deficiência, ou seja, aqueles que têm o atendimento educacional especializado nas escolas - que é um programa do MEC ( Ministério da Educação), que disponibiliza recursos didáticos e pedagógicos para atender as pessoas com deficiência matriculadas nas instituições regulares de ensino no contra turno , eles estudam pela parte da manhã e na parte da tarde eles têm esse atendimento para poder suprir as suas necessidades no processo de aprendizagem. A criança com dislexia ou com déficit de atenção, elas não podem frequentar esse atendimento o que as deixam desamparadas. Então eu acho importantíssimo a presença do psicopedagogo nas escolas, infelizmente ainda não há um reconhecimento e nem a valorização desses profissionais, mas eu espero que daqui pra frente esse cenário possa melhorar.
Quais as melhorias existentes que foram executadas pelo Governo do Estado na melhoria da qualidade de vida das PCDs?
Na área de acessibilidade foi feita muita coisa pelo Governo do Estado. Principalmente nas escolas. Muitas escolas foram construídas dentro dos parâmetros devidos da legislação e, muitas escolas que já existiam foram reformadas/adaptadas para os alunos com deficiência. Além de hospitais, prédios residenciais e as praças que estão sendo construídas dentro da legalidade da acessibilidade. Essa realidade é uma via que não vai voltar mais, e a população precisa estar consciente e brigando por essa acessibilidade. Hoje a pessoa com deficiência não está mais em casa trancada ou escondida, hoje ela está na rua, na sociedade, indo no cinema e, além de tudo, está exigindo que os shoppings tenham um elevador largo para que caiba a cadeira de roda, que as clínicas tenham acessibilidade, e isso é uma exigência de direito de estar e de participar em todos os espaços que existam. Há uma maior fiscalização, por parte da população, do próprio Governo e da polícia.


domingo, 4 de novembro de 2018

Promovendo a educação de crianças e jovens através do projeto “Possibilidade de Aprender” em parceria com o Criança Esperança

Descrição para cegos: Instrutora orientando dois alunos que estão sentados. Fonte: Divulgação/Adefip
Por Maria Ricarte
Ao  reconhecer a existência de dificuldades enfrentadas nas instituições de ensino por parte dos estudantes portadores de deficiência – sejam elas físicas, mentais, auditivas ou visuais – em que práticas discriminatórias e excludentes são recorrentes, existem projetos sociais que visam avançar na ideia de equidade perante a população e as redes de ensino, sejam elas públicas ou privadas. Os projetos sociais agregam na asseguração dos Direitos Humanos, além de ser considerado um ato político, cultural e social.
Dito isso, o projeto social chamado “Possibilidade de Aprender”, presidido por Ana Paula Gonçalves Tranche - que é voluntária da Associação dos Deficientes Físicos de Poços de Caldas (ADEFIP) - , realizado em parceria com o Criança Esperança, tem o intuito de amenizar as dificuldades de aprendizagem , independente da deficiência - física, auditiva, visual, múltipla ou social - , de jovens entre 12 a 29 anos. Além disso, o projeto proporciona atividades lúdicas como  grupos de convivência; dança; teatro e esporte adaptados; com o intuito de deixar mais dinâmico o ato da aprendizagem desses jovens e, aqueles que desejam ingressar no mercado de trabalho frequentam a instituição e participam de atividades que simulam um ambiente de trabalho.

Acesse o link da matéria feita pela Rede Globo em 2014 e obtenha mais informações sobre o projeto Possibilidade de Aprender:



sábado, 3 de novembro de 2018

Número de violações de direitos de pessoas com deficiência aumenta, de acordo com relatório do Disque 100

Os dados apontam que pessoas com deficiência mental são as mais violadas e a negligência é a principal forma. 
Foto/Reprodução: Inclusive
Descrição para cegos: Uma ciranda composta por ilustrações de figuras humanas multicoloridas, nas quais duas delas são cadeirantes. 


Por Marcelo Vieira 

Divulgado em maio de 2018, o Relatório do Disque 100 referente ao ano de 2017 é um balanço de todas as denúncias feitas à Central de Atendimento de Violações dos Direitos interligada ao Ministério dos Direitos Humanos. O serviço, que funciona como um pronto socorro dos direitos humanos, apontou dados expressivos sobre a situação das pessoas com deficiência.

Ao todo foram registradas 142.665 denúncias, sendo 11.682 sofridas por pessoas com deficiência, número que reflete um crescimento em comparação ao ano anterior. 


Ao todo foram registradas 142.665 denúncias, sendo 11.682 sofridas por pessoas com deficiência, número que reflete um crescimento em comparação ao ano anterior.  Dentre os tipos de violência mais cometidos, está a negligência e a violência psicológica em desfavor de pessoas com deficiência.  Negligência pode ser compreendido como falta de cuidado, conduta não tipificada como crime, todavia recorrente nos casos denunciados referentes às pessoas com deficiência. Os dados do balanço também apontam a existência de outras práticas como violência física ou patrimonial, e abuso financeiro, que podem ser conferidas no gráfico abaixo.


Quanto ao perfil da vítima, a maioria são mulheres que apresentam alguma deficiência, a faixa etária e raça/cor é bem diversificada e pessoas de 0 a 17 anos são as menos atingidas. Quanto à deficiência, as mentais representam 60,04% de todas as denúncias em 2017. De acordo com o relatório, os principais suspeitos são irmãos e familiares de segundo grau e em 71% das vítimas estavam em suas casas.

Todas as denúncias são encaminhadas em um prazo de 72 horas aos órgãos de serviço social mais próximos, para que adotem medidas de proteção e investiguem os casos denunciados, entre eles estão os conselhos tutelares, os que atuam na segurança pública e os centros de assistência social.

No levantamento, apenas 13,63% das queixas foram respondidas. Os dados expõem a realidade do serviço público brasileiro, que apesar de encontrar-se inchado, ainda não é eficiente. O serviço é disponível 24 horas, todos os dias, com coordenação do Ministério dos Direitos Humanos. A divulgação anual desses dados pretende além de, induzir a implementação e a avaliação de políticas públicas de promoção de direitos humanos, estimular a reflexão acadêmica pelo terceiro setor.

Quebrando o tabu, transpondo as barreiras e desmitificando a estigmatização social das pessoas com deficiência

Por Maria Ricarte
A exclusão social e a discriminação das pessoas com deficiência existe há cerca de muitos anos,os quais eram reprimidos e tratados como incapazes perante a sociedade. Além disso, nota-se que tais ações se preservam atualmente, retomando atitudes arcaicas e preconceituosas. Desse modo,é necessário fazer uma auto reflexão acerca de tal problemática em que haja uma implementação de políticas e tratamentos corretos para que as pessoas com deficiência possam ter as mesmas oportunidades e direitos que toda a população.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil o total de pessoas que declararam possuir pelo menos uma das deficiências - física, intelectual, visual ou auditiva - foi de 45.606.048, representando 23,9% da população, tendo a região Nordeste com a maior concentração e proporção de pessoas com pelo menos um tipo de deficiência, com 26,6%, tendo as regiões Sudeste e Norte 23,0% cada e 22,5% nas regiões Sul e Centro-Oeste. Entre os estados do Brasil, a Paraíba e o Rio Grande do Norte apresentam o maior índice de PcD, possuindo 27,8% da população com alguma incapacidade.
Dentre as deficiências pesquisadas pelo IGBE em 2015, a mais ocorrente entre a população é a deficiência visual (3,6%), e a deficiência física é a segunda com maior número dentre os brasileiros atingindo 1,3% das pessoas. Entretanto, as pessoas com deficiência física, possuem maior incidência no mercado de trabalho, sendo que essa inclusão aumenta a partir dos 25 anos de idade.
Atrelado a essa realidade, a educação tem um papel fundamental no aumento da inclusão social da pessoa com deficiência, não só no mercado de trabalho mas na sociedade como um todo. Em uma pesquisa feita pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), os mais escolarizados ocupam as maiorias das oportunidades de emprego. Em 2016, no ano em que a pesquisa foi feita, dos 418.521 contratados, 275.222 PcDs eram formados no ensino médio, possuíam ensino superior incompleto ou estudos superiores concluídos.
A inclusão da PcD no mercado de trabalho, nas escolas, o atendimento nos postos de saúde, acesso ao passe livre e a isenção de impostos na compra de carros adaptados são direitos, independente do tipo de deficiência que apresente, contribuindo assim uma transformação da realidade, que necessita de novos avanços instrumentais e qualitativos na vida social dessas pessoas. Dessa maneira, é imprescindível que as leis e os decretos que asseguram os direitos e deveres das pessoas com deficiência sejam respeitados e efetivados.
Em uma entrevista com Edjanio Pereira Marques de 45 anos de idade, estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ele conta que foi acometido pela Sequela de Pólio - comumente conhecida como paralisia infantil - aos dois anos de idade. Inicialmente ele teve tetraplegia e, após o tratamento, conseguiu reatar os movimentos dos braços e das pernas porém, passou a ter o atrofiamento das pernas. Edjanio faz parte dos brasileiros com deficiência que têm carteira assinada, porém ele afirma que o preconceito é uma das principais barreiras entre as Pcds e o mercado de trabalho.

Descrição para cegos: Edjanio está em pé em frente ao seu carro, da cor preta, sorrindo para a foto. Fonte: Maria Ricarte





Quem é você?
Me chamo Edjanio Pereira Marques, tenho 45 anos e sou natural de Patos, aqui da Paraíba mesmo. Estou morando em João Pessoa desde 1995, há 23 anos. Tive, o que se chamava antigamente de “Paralisia Infantil”,  porém o nome científico é Sequela de Pólio. Eu fui acometido pelo vírus quando eu tinha dois anos e, inicialmente, eu fiquei tetraplégico, não mexia nada além da cabeça. Depois, com o tratamento, eu fui recuperando o movimento do braço e das pernas, porém depois eu fiquei, com a sequela de Pólio, com o atrofiamento dos membros, o direito foi bem mais afetado do que o esquerdo. Sou casado há cerca de 18 anos, temos uma filha Ester que é o amor da minha vida, o motivo da minha luta, da minha batalha e hoje eu me sinto extremamente realizado.

Como foi a sua trajetória, desde a infância até a vida adulta? E qual o papel dos seus pais e familiares nessa jornada?

No início foi bem difícil, até porque eu venho do sertão, uma região do estado difícil no sentido de suporte em termo de saúde, uma área em que as dificuldades são bem maiores do que na capital, ainda mais você sendo desprovido de recursos e no momento em que meus pais se viram na situação tendo um filho deficiente, eles tinham que fazer alguma coisa. Eu agradeço a Deus por ter me dado um pai e uma mãe que tiveram uma conduta extremamente louvável no sentido de correr atrás de uma solução para a minha situação, até porque aos olhos humanos a cura era quase impossível e naquela época o tratamento era mais difícil de conseguir uma recuperação dentro da “normalidade”. Meus pais foram muito valentes, lutaram muito para eu chegar onde eu cheguei. Eles me educaram, me deram amor e carinho, suporte emocional e, acima de tudo, me criaram de uma forma que me orgulho. No começo foi tudo bem difícil, pois eu tive que me sujeitar a sete cirurgias e uma coisa que me orgulha foi o que minha mãe me disse, “Eu só vou te deixar no dia em que você estiver andando com a suas próprias pernas”, e ela cumpriu. Hoje lamentavelmente não tenho nem minha mãe nem meu pai, mas sou extremamente feliz por tudo o que eles fizeram. Hoje eu já dirijo, eu tenho um carro adaptado, eu mesmo faço as adaptações com alguns parceiros, tenho uma alegria imensa pelo muito que já alcancei, hoje faço uma faculdade e me vejo muito bem em relação a tudo. A gente vê as pessoas ditas “normais”, em que elas alcançam o sucesso, uma qualidade de vida mais elevada, com mais oportunidades, e eu posso dizer que apesar de tudo, eu me considero muito afortunado e feliz.


Você trabalha ou já trabalhou? Se sim, quais as principais dificuldades que você encontrou no mercado de trabalho, tanto para ingressar nele como para permanecer efetivado?
Atualmente estou trabalhando. Já tenho uma certa experiência dentro do mercado de trabalho, eu comecei trabalhando como auxiliar administrativo em uma academia; depois fui trabalhar na Telpa, que hoje conhecemos como Telemar; passei seis meses trabalhando nas lojas Maia, conhecidas como Magazine Luiza; por fim, fui convidado a trabalhar na UNIMED, onde fiquei cerca de 17 anos, saí de lá ano passado (2017) e hoje trabalho no Hospital Nossa Senhora das Neves. Tive uma experiência empregatícia sempre na área de saúde, já trabalhei em dois hospitais, porém as dificuldades são muitas, porque antes de tudo precisamos transpor a barreira do preconceito, de sermos vistos com pena pelos outros. Nós somos iguais a qualquer pessoa, temos nossas limitações, mas nossas limitações não são nossos limites, o fato de eu ter uma sequela de pólio, de ter uma deficiência em uma das pernas, não me faz menor ou incapaz em relação a ninguém.

Você acha que o mercado de trabalho ainda precisa melhorar as condições de inserção das PcDs (pessoas com deficiência), visto que apenas 0,7% dessas pessoas ocupam as vagas de empregos no Brasil?
Nós estamos ainda muito longe de termos um mercado compatível com as nossas necessidades. Eu passei recentemente um ano desempregado, surgiam oportunidades, mas dentro de cada momento que existiam as oportunidades, existiam também “N” dificuldades para a pessoa com deficiência, era apenas uma forma de burlar a lei. As empresas não contratam pessoas com deficiência porque acham que devem contratar, por querer ter pessoas com deficiência trabalhando, eles fazem puramente por ser uma lei, porque a legislação obriga a ter um percentual dentro das empresas. Ao meu ver, a  dificuldade dentro do mercado de trabalho é ainda o preconceito, a maneira que somos vistos como uns “coitadinhos”, que temos limitações e não vamos conseguir realizar o serviço corretamente. Falta ter uma mudança de visão sobre nós como pessoas, enquanto profissionais. Hoje em dia isso vem mudando, a maioria das pessoas com deficiência tem buscado se aprimorar, estudar, se formar, terem cursos profissionalizantes. Eu reconheço que fiquei muito tempo omisso, no sentido de buscar uma melhora em termos de estudo para mim, somente agora, há três anos, é que eu vim realmente valorizar a oportunidade de estudar. Hoje eu estudo Jornalismo na UFPB, e estou extremamente feliz de fazer uma coisa que eu gosto, de estar me envolvendo com comunicação, com pessoas.

Quais as dificuldades que você encontra, em termo de acessibilidade, dentro da UFPB?
Eu acho que uma das maiores dificuldades que enfrento aqui na UFPB, é o acesso às salas. Nós tivemos que mudar de sala, esse é o terceiro ano consecutivo, porque o elevador existe, mas não funciona. E aí vem o questionamento, “Mas por que não funciona?”, e ninguém consegue responder. Infelizmente vivemos num país que quando as coisas são para a “minoria”, elas ficam mais difíceis e eu estou nesse grupo. Aqui na universidade, o nível de acessibilidade é muito pequeno. Encontramos as pessoas ditas “normais” ocupando as vagas das pessoas com deficiência, dificultando o acesso às rampas; falta também indicação mais precisa nas calçadas, tanto para as pessoas com deficiência física quanto visual; as sinalizações verticais e horizontais são precárias, é uma coisa que não tem quase indicação nenhuma.

Seu carro é adaptado? Você conseguiu a isenção de impostos na hora da compra?
Eu comprei o meu primeiro carro sem isenção. Quando eu comprei, foi para ter a minha primeira experiência com o carro, de dirigir, de ter a minha autonomia, se eu fosse na concessionária para adquirir o processo de isenção do IPI e do ISMS, ia ser mais demorado. Já o segundo, eu comprei zero e também sem a isenção, o que já foi por opção. Por já ter um carro, eu fui na loja e comprei o que eu queria, que no caso foi o Gol que eu tenho até hoje. Mas, o objetivo, a princípio, é fazer o uso dos nossos direitos porque lutamos muito para alcançá-los.

Educação inclusiva: um modelo de ensino lúdico e dinâmico


Descrição para cegos: Professor Marcelo em pé ao lado do mapa interativo. Foto por: Reprodução/Tv Globo

Por Maria Ricarte

A inclusão vai além da possibilidade de inserir pessoas com deficiências no convívio comum, é  a mudança no pensamento e no comportamento dos indivíduos e em suas atitudes perante as pessoas com deficiência. É, além de tudo,  ter o processo de inclusão como algo natural, normal para todos e não algo forçado. O processo de inclusão se inicia ao inserir o deficiente visual na escola, sendo este um ambiente comum para todos, em que possibilita a este aluno uma autonomia, deixando-o capaz de tomar decisões e cuidar de si, sendo uma pessoa independente com capacidade de frequentar lugares comuns e de se relacionar com a sociedade.

Neste contexto, é possível perceber que as instituições de ensino e os seus profissionais são de suma importância para a educação inclusiva de qualidade e para que haja o desenvolvimento cognitivo das crianças com deficiência visual, o que é parte fundamental para a mudança no preconceito existente na sociedade, uma vez que é através das crianças de hoje que se tem o adulto de amanhã.
Dito isso, o pernambucano Marcelo Miranda, professor de Geografia do Instituto Federal de Educação (IFPE) teve a ideia de criar mapas com textura física para ajudar no aprendizado de deficientes visuais. A novidade desses mapas consiste em ter partes cobertas com um material diferente, para que as pessoas que não enxergam conheçam e entendam o lugar onde vivem, consequentemente facilitando o ensino e o aprendizado desses estudantes que terão uma noção maior do que estão aprendendo.

Acesse o link da matéria  publicada no G1 - portal da Rede Globo - dia 15 de Outubro de 2018 e obtenha mais informações sobre o projeto que facilita a vida de muitos estudantes com deficiência visual:


Bocha Paralímpica promovendo a inclusão social dentro do esporte

Descrição para cegos: Duas pessoas, um homem e uma mulher, estão delimitando o espaço da quadra para que os atletas possam jogar dentro da linha certa. Dois atletas com deficiência física, de cadeira de rodas, estão olhando a marcação da quadra. Fonte: foto retirada da matéria do Portal Correio

Por Maria Ricarte
Uma das formas de adquirir a inclusão social das pessoas com deficiência no âmbito social, é o esporte. O esporte é visto por várias pessoas, instituições e governos, como uma forma de superar as dificuldades que as PcDs (pessoas com deficiência) têm de enfrentar, esses obstáculos atingem boa parte dessa população que se vê desassistida pelo governo e sem a efetivação de fato dos seus direitos constituídos por lei. No Brasil, podemos encontrar diversas instituições de assistência para essas pessoas, como por exemplo: Centro Interdisciplinar de Pesquisa e Atenção à Saúde (CIPAS); e, Organizações Não Governamentais (ONG). Projetos e movimentos como esses, que se dispõem a fazer algo por esses indivíduos, estão crescendo cada vez mais.
Um exemplo de inclusão social através do esporte, foi a Bocha Paralímpica - modalidade que consiste em lançar bolas coloridas o mais perto possível de uma branca -, que foi realizada dentro da Olimpíada Rainha da Borborema, que abriu espaço para as disputas entre atletas com deficiência. Essas competições foram realizadas no dia 02 de outubro, no Ginásio de Esportes da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), no bairro de Bodocongó, em Campina Grande. Participaram da Olimpíada 24 atletas, representando três entidades, o que totalizou 33 jogos. O grande destaque foi a equipe da Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad) de João Pessoa, que foi campeã em todas as classes disputadas.

Acesse o link da matéria  publicada no Portal Correio e saiba mais sobre a Olimpíada que contribuiu socialmente com a inclusão social através do esporte:

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Saiba para que serve o piso tátil nas calçadas

Descrição para cegos: foto de uma calçada com uma pessoa passando o bastão guia em um piso tátil de alerta que, no caso, indica o fim da calçada e começo da via para veículos. Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Santos -SP
Por Tiago Bernardino

A instalação de sinalização tátil nas calçadas oferece acessibilidade e segurança para as pessoas com deficiência. A sua instalação, assim como a calçada, obedece algumas normas. Para auxiliar a quem pretende reformar a calçada a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC), em parceira com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA) disponibiliza um manual.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Obstáculos à cidadania

Descrição para cegos: imagem de multa moral aplicada em veículo estacionado indevidamente em vaga destinada a deficientes.
Por Nayla Georgia
Renata Torres
Tiago Bernardino

Cerca de 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência. Apesar dos direitos a inclusão e acessibilidade serem garantidos pela Constituição Federal, na prática, esse direito continua a ser negado. No dia a dia é possível encontrar obstáculos que para muitos podem ser insignificantes, mas para quem tem alguma deficiência são excludentes. Nesta galeria de fotos, são retratados alguns dos obstáculos encontrados por pessoas com deficiência em sua busca cotidiana por autonomia e acesso a seus direitos.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Enem 2017 discute a educação de surdos na redação

Descrição para cegos: Candidatos do Enem 2017 entrando na escola para realização do exame. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Por Tiago Bernardino

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017 provocou a sociedade a pensar sobre a educação de pessoas com deficiência. Na prova de redação, aplicada no último domingo (5), o tema proposto para o candidatos foi "desafio para a formação educacional de surdos". Além da abordagem da temática na avaliação, nesta edição foi disponibilizada a possibilidade de fazer a prova por meio de videoprova traduzida na Língua Brasileira de Sinais (Libras).