domingo, 13 de novembro de 2016

UFPB tem programa de apoio para alunos com deficiência

Descrição para cegos: foto mostra o aluno Otto
de Sousa, do Curso de Rádio e TV, sendo
auxiliado por sua apoiadora, que lê alguns papéis.

Por William Veras


Se as dificuldades acadêmicas, barreiras e desafios já são visíveis para quem não possui nenhum tipo de deficiência, imagine as dificuldades que uma pessoa com alguma necessidade especial enfrenta, em todos os aspectos, durante a sua vida acadêmica.
Foi pensando nisso que o Comitê de Inclusão e Acessibilidade da Universidade Federal da Paraíba criou o programa Aluno Apoiador, que visa disponibilizar estudantes para auxiliar a pessoa com deficiência dentro e fora da sala de aula, incluindo suporte pedagógico e comunicacional, ajuda na mobilidade dentro do campus, organização de materiais em formatos acessíveis e acompanhamento em todos os eventos acadêmicos que o aluno necessitar participar.


O programa funciona desde o segundo semestre de 2011, e veio passando por mudanças e adequações para melhor atender seus usuários. Hoje, o aluno apoiador ganha uma bolsa mensal de R$500,00, para que a atenção, dedicação e seriedade com o projeto seja realmente uma prioridade.
A Coordenadora do CIA (Comitê de Inclusão e Acessibilidade), Andreza Polia diz que a ideia do programa surgiu logo no início de sua gestão. “A professora Sandra Santiago tinha um projeto de monitoria para estudantes surdos, e foi a partir desse projeto que eu resolvi ampliar e transformar em um programa que atendesse todas as pessoas com deficiência”.
- O objetivo do programa não é só oferecer apoio para alunos com deficiência, é também criar uma cultura de inclusão dentro da universidade. Quando eu coloco as pessoas para conviverem com alunos com deficiência, eu estou fazendo com que elas experimentem um novo tipo de relação e uma nova forma de aprender com as diferenças. Com isso, a gente consegue multiplicar o respeito, a diversidade, a convivência, e o entendimento das diferenças não como uma coisa ruim ou negativa, muito pelo contrário: ambos podem crescer nessa relação" - afirma Andreza.

COMO ser apoiador?
Qualquer pessoa que esteja devidamente matriculada na universidade pode participar do processo de seleção, que acontece sempre no início de cada novo período. Além disso, o estudante só pode apoiar um aluno que seja de turno oposto ao seu, a menos que o candidato seja da própria turma do apoiado.
O projeto não se limita apenas ao Campus I (João Pessoa). Hoje o programa Aluno Apoiador está presente em todos os Campi da UFPB e atende mais de 80 estudantes com diversos tipos de deficiência.

DO SUPLETIVO AO BACHARELADO
Robson Santos, que está concluindo sua graduação em Direito na UFPB, diz que o programa Aluno Apoiador foi fundamental para o seu desenvolvimento acadêmico.
- O projeto foi de suma importância para mim, pois vim de um supletivo no ensino médio, e esse choque de informações pra quem sempre estudou em escola pública e além disso veio do interior, faz com que as dificuldades dentro da universidade aumentem. Foi pelo suporte pedagógico e o auxílio por meio do apoiador com os materiais que eram disponibilizados em sala que eu conseguir avançar - diz ele.
Hoje, além de está concluindo o curso de Direito, Robson representa não só as pessoas com deficiência visual do campus, mas toda a comunidade acadêmica junto ao CIA, por indicação do DCE.

o Comitê
O comitê (que antes era chamado de “Comporta”) começou a funcionar extraoficialmente em 2011, vinculado à Prape (Pró-Reitoria de Assistência e Promoção ao Estudante), coordenado pela professora Andreza Polia, do Departamento de Terapia Ocupacional. Na época, o projeto não tinha condições de oferecer uma vida melhor aos alunos com deficiência dentro da universidade, pois era apenas uma comissão sem condições de desenvolver ações efetivas dentro da UFPB.
A partir de 26 de novembro de 2013, o Comitê passou a ser vinculado ao Gabinete da Reitoria, e ganhou mais força para desempenhar suas funções.
Hoje, o CIA desempenha diversos serviços voltados ao acompanhamento pedagógico, e oferece materiais acessíveis como notbooks, gravadores digitais, lupas, cadeiras motorizadas para cadeirantes, materiais de escrita para pessoas cegas, entre outras ferramentas de auxílio. Tudo isso para facilitar ao máximo o aprendizado e a participação plena dessas pessoas em toda sua vida acadêmica dentro da UFPB.
O comitê está localizado no primeiro andar do prédio da Reitoria, e disponível para quem desejar conhecer mais a fundo suas ações e serviços.

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