domingo, 6 de novembro de 2016

Uma história de conquistas

Descrição para cegos: José Roberto,
segurando com uma das mãos o
boneco Tom, mascote das Paralimpíadas,
e com a outra a medalha de bronze
conquistada nos Jogos. Ele está com todas
 as medalhas da carreira no pescoço, e,
ao fundo, a bandeira do Brasil.
Por Samuel Amaral

José Roberto Ferreira de Oliveira nasceu em 2 de abril de 1981, na cidade de Lagoa Seca, interior da Paraíba, com cegueira congênita. Devido à falta de estrutura da cidade natal, veio para João Pessoa aos oito anos para estudar no Instituto dos Cegos da Paraíba. Ali, José Roberto teve seu primeiro contato com várias modalidades esportivas: natação, futebol, atletismo... fez quase tudo!
Certo tempo depois, em 1993, ele foi apresentado ao Goalball pelo professor de Educação Física do Instituto dos Cegos, que conheceu a modalidade num campeonato em São Paulo. Ao contrário de outros esportes que foram adaptados para pessoas com deficiência, o goalball foi criado para os veteranos da Segunda Guerra Mundial que haviam perdido a visão.
- O goalball foi o último esporte dos que conheci. Eu era doido pra ser nadador, mas nunca fui bom não! Sempre fui de médio pra ruim! E aí fiquei no goalball mesmo, desde os meus 13 anos. Faz 22 anos que eu jogo - conta José Roberto.

COLECIONADOR DE MEDALHAS
        De lá para cá, José Roberto coleciona vitórias: “eu tenho seis medalhas com a seleção brasileira: ouro no Parapan de Guadalajara em 2011, e no de Toronto, no ano passado. Prata em Londres e bronze este ano. Fomos campeões mundiais na Finlândia, em 2014 e bronze no Pan da Ibsa, que é uma instituição que organiza o esporte para deficientes visuais, em 2013, no Colorado”.
        Para ter esse desempenho, José Roberto enfrenta uma rotina intensa de treinamento: em São Paulo, nas fases de pré-competição, o atleta chega a treinar de seis a sete horas por dia! Em João Pessoa os trabalhos físicos na Funad e no Instituto dos Cegos são menos frequentes, porque José Roberto os concilia com sua outra vocação: lecionar! Ele é professor de História da rede pública municipal.

ESPORTE E PRECONCEITOS
        José Roberto conta que a prática esportiva lhe trouxe muitos benefícios: autonomia, confiança na locomoção, noção de espaço, e também as vantagens financeiras, já que a Seleção Brasileira de Goalball é patrocinada pela Caixa Econômica Federal.
        Nessa fase da carreira, como atleta de alto rendimento, José Roberto já não fala tanto em superação ou inclusão, mas em treinamento, disputa por títulos e campeonatos: “o que a gente tem que superar são os adversários”, ironiza.
Ele afirma que “o esporte imita a vida: você tem que lutar, buscar vencer... O esporte me dá qualidade de vida física e mental. Quando acabar meu tempo de atleta de seleção, [que] já está bem próximo, não vou deixar de fazer esporte”.
        No entanto, apesar da carreira exitosa, José Roberto ainda enfrenta preconceitos. Ele conta que mesmo sendo um atleta de carreira exitosa, as pessoas só focalizam sua deficiência, sem considerar seu alto rendimento, na lógica da competitividade.

FAMÍLIA CAMPEÃ

Descrição para cegos: José Roberto ao lado da esposa, Dayane, que tem em seus braços a filha do casal, Amaíne, segurando o mascote Tom.
       Dayane da Costa Oliveira, esposa de José Roberto, que também é deficiente visual, costuma dizer que “a família, os amigos, todos que torcem por ele deveriam ganhar também a medalha. É muito gratificante a gente passar por todas essas etapas de treino, de ter que renunciar à maioria das coisas por conta do tempo que ele tem pra se dedicar ao esporte, que é pouco. Então eu e Amaíne [filha do casal, de 3 anos] sentimos muito orgulho... eu não sei nem expressar em palavras o tamanho da emoção que é estar lá vendo o sucesso dele!”, afirma orgulhosa.

Um comentário:

  1. Ele me lembra um pouquinho você, colecionador de Medalhas e de bons sentimentos :)

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